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Mercados sob pressão do petróleo e do gás: cautela antes do BCE e da inflação americana

Mercados sob pressão do petróleo e do gás: cautela antes do BCE e da inflação americana

Numa semana em que os investidores esperam pelos dados de inflação nos EUA, que chegam sexta-feira, os receios de pressões inflacionistas vindos da nova escalada dos preços do petróleo vão condicionando o sentimento. 
Os investidores enfrentam uma quarta-feira marcada pela cautela, numa semana em que o foco principal continua a ser os dados de inflação nos EUA, que serão publicados sexta-feira. Os receios de pressões inflacionistas vindos da nova escalada dos preços do petróleo e do gás natural condicionam o sentimento, enquanto as tensões geopolíticas no Médio Oriente mantêm um prémio de risco elevado nos mercados energéticos e nas yields.
Wall Street encerrou esta terça-feira em terreno negativo, não conseguindo inverter o cenário de sexta-feira. Os mercados estão a ser pressionados pelos preços dos combustíveis que continuam a subir.
O índice de referência S&P 500 fechou a sessão com uma quebra de 0,58%, para 7.673,52 pontos. Já o industrial Dow Jones registou uma descida de 1,18%, para 52.786,07 pontos. O tecnológico Nasdaq desvalorizou 0,32%, para 26.421,41 pontos. A subida das yields das Treasuries, com o yield a 10 anos a aproximar-se dos 4,8%, e o rali do petróleo pesaram no humor. O setor energético destacou-se positivamente, enquanto a saúde e algumas grandes tecnológicas sofreram.
Com as tensões geopolíticas e os preços do petróleo em alta, os mercados podem ter dificuldade em focar-se em algo para além da discussão sobre a inflação
Se os números da inflação de agosto saírem em linha ou acima do esperado, a Fed terá uma margem de manobra mais curta para continuar a manter os juros na reunião de 16 de setembro.
A empresa de chips Qualcomm subiu 3,17% na bolsa, depois de anunciar uma parceria ao nível das infraestruturas de data center com a Amazon Web Services. O acordo de parceria de IA multi-geracional com a Amazon para chips inclui warrants que permitem à Amazon adquirir ações da Qualcomm.
As empresas de computação quântica animaram depois de o Governo dos EUA ter dado financiamento a Rigetti, D-Wave e Quantinuum em troca de posições acionistas minoritárias.
Na Europa, os principais índices fecharam a terça-feira praticamente estáveis, com o petróleo e as expectativas de subida de juros a condicionarem o mood.
Lisboa foi a grande exceção do dia, com o PSI a destacar-se como o índice mais animado do Velho Continente.
Em Paris, o CAC 40 avançou 0,14%, para 8.317,98 pontos, e em Frankfurt o DAX ficou praticamente estável, nos 26.007,63 pontos.
Noutras praças o tom foi de ligeira correção: o IBEX 35 de Madrid recuou 0,12%, para 19.997,10 pontos, ficando mesmo à beira do marco simbólico dos 20 mil pontos; o FTSE MIB de Milão cedeu 0,10%, para 52.177,47 pontos; e em Londres o FTSE 100 seguiu a tendência negativa do mercado britânico e perdeu 0,10% para 10.811,7 pontos.
O BCE prepara-se para aumentar a taxa da facilidade de depósito para 2,5% na quinta-feira, o limite superior da zona neutra. Estão previstas novas projeções, mas a atenção centrar-se-á na conferência de imprensa de Christine Lagarde. É provável que o banco se mantenha evasivo quanto à trajetória futura das taxas, embora possa sinalizar abertura para uma terceira subida este ano se os preços da energia continuarem elevados. Os mercados descontam mais um aumento em dezembro e outro até meados de 2027.
“Apesar da subida dos preços do petróleo, as yields de dívida soberana seguiam estáveis, o que mostra tranquilidade dos investidores a dois dias do BCE anunciar as suas decisões de política monetária, com o mercado a dar como certa a subida de 25 pontos base nas taxas de juro para a Zona Euro”, destacaram os analistas do BCP.
Para quinta-feira, todos os olhos estarão em Frankfurt — e no comunicado do BCE, que deve ditar o tom dos mercados para as próximas semanas
No mercado energético, o Brent aproximou-se dos 100 dólares por barril após ataques dos Houthis a instalações sauditas e novas ameaças iranianas relacionadas com o Estreito de Hormuz.
Já não bastava a guerra Irão/EUA, os rebeldes houthis do Iémen atacaram esta terça-feira instalações petrolíferas e serviços públicos da Arábia Saudita.
Já o preço do gás natural para entrega a um mês no mercado TTF dos Países Baixos subiu esta terça-feira mais de 4%, superando 76 euros por megawatt-hora, o nível mais elevado desde janeiro de 2023, devido ao conflito no Médio Oriente. Esta escalada reforça os receios de pressões inflacionistas na Europa e complica ainda mais o cenário para o BCE.
O contexto geopolítico continua dominado pela guerra entre os EUA e o Irão e pela escalada regional, que alimenta o prémio de risco no petróleo e no gás e reduz a margem de manobra dos bancos centrais. Na macroeconomia, a semana é marcada pelos dados de inflação americanos de sexta-feira, que serão determinantes para as expectativas em relação à Fed. Qualquer surpresa altista reforçaria as apostas de aperto monetário tanto nos EUA como na Europa.
Em resumo, quarta-feira deverá ser uma sessão de consolidação cautelosa, com o petróleo, o gás e as yields a ditarem o tom, enquanto os investidores se posicionam para a decisão do BCE na quinta-feira e o CPI americano na sexta. Notícias positivas no setor de IA, computação quântica e data centers podem continuar a oferecer suporte seletivo a algumas ações.
Geopolítica não dá tréguas
Noutra frente geopolítica, o Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou hoje ao homólogo russo, Vladimir Putin, para um fim rápido da guerra na Ucrânia, numa conversa telefónica em que este garantiu não ter “planos hostis” contra a Europa.
Já no que toca a Israel, doze países, entre os quais Portugal, confirmaram a intenção de introduzir restrições nacionais e apoiar medidas europeias que limitem o comércio de bens provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.
Os líderes do Reino Unido, França e Canadá defenderam, numa declaração conjunta, que a “expansão sistemática dos colonatos na Cisjordânia” representam “uma ameaça direta e urgente” para a paz no conflito israelo-palestiniano.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita anunciou então o encerramento do consulado britânico em Jerusalém em retaliação pelas sanções contra os colonatos israelitas na Cisjordânia, impostas por Londres e outros países ocidentais.
A Autoridade Palestiniana saudou o anúncio de que serão impostas sanções contra os colonatos israelitas na Cisjordânia por vários países ocidentais, considerando-o um “passo importante” para responsabilizar as autoridades israelitas.

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