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Agricultores pedem apoio de 200 milhões para combater crise da energia e fertilizantes

Agricultores pedem apoio de 200 milhões para combater crise da energia e fertilizantes

O aumento do preço do gasóleo agrícola desde março já representa um agravamento de custos de cerca de 60 milhões de euros para o setor agrícola português, mas são os fertilizantes que estão a gerar a maior preocupação entre os agricultores. “Para repor condições de competitividade face a Espanha, o Governo português deveria disponibilizar entre 170 e 200 milhões de euros em apoios”, defende Luís Mira, Secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).
O responsável da CAP considera que a escalada dos custos energéticos está a criar uma desvantagem crescente para a agricultura portuguesa, sobretudo perante o mercado espanhol. “Mais importante do que os combustíveis são os fertilizantes”, afirma, lembrando que estes são produtos cuja produção depende fortemente da energia.
A crise energética voltou a pressionar os preços dos fertilizantes, aumentando os custos de produção dos agricultores. E, segundo Luis Mira, a diferença de apoios entre Portugal e Espanha está a agravar ainda mais o problema.
De acordo com os valores apontados pelo responsável, Espanha terá disponibilizado cerca de 1.100 milhões de euros entre apoios aos fertilizantes, enquanto Portugal atribuiu 26 milhões. Uma diferença que, nas contas apresentadas por Mira, significa um apoio cerca de 40 vezes superior do lado espanhol.
“Com esta diferença de condições é difícil manter a competitividade”, afirma. O responsável alerta que os agricultores portugueses ficam assim em desvantagem quando tentam vender os seus produtos no mercado nacional, uma vez que os produtores espanhóis conseguem chegar a Portugal com custos mais baixos.
Para o responsável da CAP, a resposta não deve limitar-se a medidas de emergência. Espanha estará também a preparar incentivos para desenvolver uma indústria nacional de produção de fertilizantes, com apoios que deverão começar a surgir no início de 2027.
“Eles estão estruturalmente a trabalhar numa situação que permita dar-lhes uma capacidade competitiva maior. E nós assobiamos para o lado”, critica.
É neste contexto que a CAP estima que Portugal teria de mobilizar entre 170 e 200 milhões de euros para aproximar as condições de produção nacionais das existentes em Espanha. “Para dar condições de competitividade à agricultura portuguesa semelhantes àquelas que os espanhóis têm, o Governo terá que atribuir uma verba que andará entre os 170 e os 200 milhões de euros”, responde, Luís Mira ao jornal económico.
O dirigente da CAP considera ainda que a atual política do Governo contrasta com a estratégia seguida por anteriores executivos da AD, que, na sua avaliação, criaram condições para estimular a produção agrícola e aumentar a competitividade do setor. “Agora parece que querem castigar os agricultores”, desabafa.
A questão espanhola assume, para a CAP, uma dimensão particularmente importante porque Portugal e Espanha mantêm fortes relações comerciais no setor agroalimentar. Se os produtores nacionais enfrentarem custos significativamente superiores aos dos seus concorrentes espanhóis, alerta Luis Mira, o impacto acaba por ultrapassar os próprios agricultores e atingir a economia portuguesa.
O Governo está a preparar um reforço do apoio ao gasóleo agrícola, através de uma bonificação do seu custo, com o objetivo de reduzir os encargos dos agricultores e limitar o impacto da subida dos combustíveis nos preços dos alimentos. Segundo o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, o aumento do preço do gasóleo é especialmente preocupante para o setor, uma vez que os produtores dependem deste combustível para operar tratores e outras máquinas agrícolas.
Citado pela Lusa, o ministro defendeu que a medida poderá beneficiar simultaneamente agricultores e consumidores, ao ajudar a conter a pressão sobre os preços dos produtos agrícolas. Manuel Castro Almeida sublinhou que o agravamento dos custos com o gasóleo acaba por refletir-se nos supermercados e no orçamento das famílias, acrescentando que uma proteção específica para o gasóleo agrícola tem a “dupla vantagem” de aliviar os custos de produção e mitigar o aumento do custo de vida.

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