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“Tenho confiança em mim próprio para continuar no cargo”, garante Luís Neves

“Tenho confiança em mim próprio para continuar no cargo”, garante Luís Neves

O ministro da Administração Interna assegurou não estar minimamente afetado pelas polémicas que têm vindo a público e defendeu que o discurso na Madeira teve como objetivo responder a ataques populistas. “Não me sinto minimamente afetado por esta situação. Enquanto tiver a confiança do senhor primeiro-ministro continuarei a trabalhar”, disse Luís Neves em resposta às questões da deputada socialista Isabel Moreira, durante a audição regimental na Assembleia da República.
O responsável pela pasta da Administração Interna disse que a sua credibilidade e autoridade “foram atacadas de forma cerrada” e que, por isso, entendeu “que devia esclarecer perante altos responsáveis das forças de segurança” e mostrar que continua “motivado e focado e com todas as condições de determinação e capacidade para continuar a dirigir o ministério”.
Luís Neves realça ainda estar “absolutamente tranquilo” perante a sucessão de casos polémicos que o têm atingido nos últimos dois meses e assegura que continua a sua ação governativa. “Não me sinto minimamente afetado com esta situação. Manter-me-ei em funções enquanto o primeiro-ministro entender”, disse, continuando: “Estou absolutamente confortável com aquilo que fiz, com a minha consciência. Sempre me pautei pelo interesse público”.
Em resposta à deputada do PS, Isabel Moreira, Luís Neves repetiu os argumentos sobre a sua conduta nos casos do atrelado apreendido na Operação Pacoba e no uso do automóvel apreendido a Xuxas. “O que me foi colocado é que eu tenho um problema e uma solução. Tenho uma pessoa de confiança, que foi a pessoa depositária, e um diretor. Os procedimentos administrativos são os serviços que têm de tratar. Houve um acompanhamento de funcionários até ao local de depósito”, afirmou.
Já em relação ao valor do orçamento de 144 mil euros que foi apresentado para a destruição dos produtos químicos garantiu que “todo o material da Operação Pacoba era para ser destruído com este valor”. E resumiu: “Não há dúvida nenhuma, foi esse valor que foi dado por uma empresa”.
Sobre o uso do automóvel que tinha sido apreendido no processo judicial de tráfico de droga ligado a ‘Xuxas’, afirmou: “Todo o património usado na prática de crimes ou obtido com o produto dos crimes é para ser usado. Declarei a utilidade operacional de mais de 800 viaturas”.
Questionado pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, sobre a sua permanência no Governo o ministro afirmou: “Quando é que me vou embora? Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender”. Pedro Pinto insistiu na falta de condições do ministro para continuar no cargo e pergunta-lhe se vai colocar o lugar à disposição. “Não, claro que não, não vou pôr o cargo à disposição”, respondeu o ministro.
Sobre o atrelado, Pedro Pinto pergunta também “se este podia estar onde estava porque é que no dia seguinte a ter saído a notícia, a PJ foi lá buscar o atrelado?” Ao que Luís Neves admite que “só soube disso pela comunicação social” mas apurou “a seguir que não foi recolhida informação interna que a galera e os produtos estavam lá legitimamente”. Já sobre a declaração de rendimentos Luís Neves fez “mea culpa”. Refere, sobre o assunto, “dois lapsos que foram corrigidos”. Um sobre o carro que devia ter declarado e outro sobre a empresa que “não tinha tido qualquer negócio nem com o Estado nem com ninguém porque até à data não tinha feito qualquer negócio”.
Cerca de 500 polícias serão libertados para as ruas com reorganização da PSP
Luís Neves indicou que a PSP apresentou ao Governo um plano e reorganização em Lisboa, Porto e Setúbal. “Só em Lisboa, poderá libertar quase 200 polícias hoje condicionados pelo funcionamento das instalações; nos três comandos, serão cerca de 500 polícias que poderão regressar a funções operacionais e de patrulhamento e proximidade com o cidadão”, avançou.
O governante esclareceu que com esta reorganização “não se trata de reduzir presença, mas de concentrar os recursos de forma a permitir uma maior capacidade de resposta”, frisando que as autarquias “serão sempre envolvidas e uma estrutura independente acompanhará os resultados deste trabalho”.
Luís Neves garantiu que os dados das próprias polícias “não sustentam uma narrativa de insegurança generalizada”, sublinhando que “o foco está na criminalidade geral e não na criminalidade violenta e grave”.
No parlamento, deu também conta de que as negociações com os sindicatos das forças de segurança vão ser retomadas ainda este mês e que também estará para breve a publicação do despacho do número de polícias da PSP que vão para a pré-reforma – uma das principais reivindicações das estruturas sindicais – devendo ter uma reunião com o ministro das Finanças nesse sentido.

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