Angola quer atrair mais investimento britânico
A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, afirmou que o Governo angolano quer intensificar a cooperação com o Reino Unido para aproveitar o potencial do setor privado britânico na diversificação da economia angolana.
Em entrevista à agência Lusa em Londres, a governante indicou que, até ao momento, foram aprovadas 18 operações pela Agência para o Investimento Privado e Exportações de Angola (AIPEX), enquanto canal de entrada para investimento privado no país, num montante total de 395 milhões de dólares (339 milhões de euros).
Os setores abrangidos incluem tecnologias, telecomunicações, energia, setor mineiro, serviços e atividade financeira não bancária.
Face a um “espaço fiscal que não é infinito”, a ministra desafiou parceiros britânicos a explorarem formas alternativas de financiamento de infraestruturas, incluindo mais parcerias público-privadas.
Segundo Vera Daves, há espaço para melhorar o ambiente regulatório e normativo de modo a permitir que algumas iniciativas avancem como projetos inteiramente privados, referindo casos que já funcionam bem no setor da eletricidade.
“Estamos abertos a todas as sugestões e iniciativas de investimento privado que nos ajudem a fechar mais rapidamente o ‘gap’ de infraestrutura que ainda é grande”, afirmou à Lusa em Londres, onde participou no Fórum de Investimento Angola-Reino Unido, realizado na terça e na quarta-feira.
Vera Daves de Sousa afirmou que Luanda tem procurado, em todos os encontros bilaterais, “partilhar os progressos” que tem alcançado, os desafios que ainda tem e “as oportunidades que existem para que, via mercado de capitais, via setor real, se possa fazer mais em termos de negócios bilaterais entre os atores dos dois países”.
“Gostaríamos de ter mais escala e assim assegurar que o conhecimento, os recursos disponíveis e aquele que é o potencial do setor privado britânico faça um ponto com o potencial que Angola tem de continuar a crescer, de diversificar a sua economia e de ter mercados com ainda um maior nível de sofisticação”, disse.
A ministra destacou os avanços dos últimos oito anos no investimento público em infraestruturas, sobretudo no “nível terciário” da saúde (hospitais) e no fornecimento de energia elétrica, com forte aposta na produção e, agora, também no transporte e distribuição.
Referiu ainda investimentos em estradas e caminhos-de-ferro, em alguns casos por concessões, citando o Corredor do Lobito como “exemplo emblemático”, e no abastecimento de água, com atenção especial às zonas do sul do país, onde o acesso à água potável é mais baixo.
No setor dos transportes, o Ministério dos Transportes está a ponderar algo similar ao Corredor do Lobito para o Corredor Norte, embora a iniciativa esteja ainda numa “fase muito embrionária” de estudos, projetos e avaliação de viabilidade, disse.
A governante referiu que há outras construções em marcha, associadas aos setores marítimo e aéreo, estando em preparação as concessões do Porto de Caio, do Porto do Namibe e Porto do Lobito.
A concessão do novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, com potencial para um tráfego de 15 milhões de passageiros, está a ser finalizada e deverá ser fechada até ao final do mês.
Relativamente a energia, águas e estradas, o executivo não está a avançar tão rápido, mas identifica potencial em energia e águas, sobretudo nas linhas de transmissão.
A capacidade de produção de eletricidade é considerada alta, pelo que avançar com linhas de transmissão numa lógica de parceria público-privada, para depois exportar essa eletricidade para países vizinhos, é algo que “economicamente faz sentido”.
A ministra indicou que há “algumas propostas em cima da mesa” e que o próximo passo é avaliar os prós e contras de cada uma e decidir com que parceiro avançar.
Entre os potenciais destinos de exportação de eletricidade estão a Zâmbia, a Namíbia e a República Democrática do Congo, para conseguir fechar pelo menos um negócio até 2027, concluiu.
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