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Administração Trump aplaude entrada do Estado na REN

Administração Trump aplaude entrada do Estado na REN

Os Estados Unidos da América têm acompanhado muito atentamente o investimento chinês em Portugal ao longo da última década.
A entrada de empresas estatais chinesas no capital de duas das mais importantes empresas energéticas em Portugal, REN e EDP, levou Washington a acompanhar este tema com bastante atenção.
Agora, o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, vem elogiar a entrada do Estado português no capital da REN – Redes Energéticas Nacionais, responsável pelo transporte de eletricidade e de gás.
“Portugal tem tomado passos importantes para reforçar a resiliência das suas infraestruturas críticas, e congratulamos isso”, respondeu ao Jornal Económico um porta-voz do Departamento de Estado sobre a compra de 14% pela estatal Parpública.
“A segurança energética é segurança nacional. Uma infraestrutura energética segura e confiável é fundamental para a segurança e prosperidade de um país”, segundo a entidade responsável pela política externa dos EUA.
“Quando se trata de infraestruturas críticas, a confiança é importante. Isso inclui quem detém e controla os sistemas que mantêm ligadas tanto a eletricidade como a economia”, acrescenta o ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA sediado em Washington.
“Queremos garantir que as nossas relações económicas não criam vulnerabilidades de segurança. Isso significa trabalhar com parceiros de confiança e introduzir medidas para proteger infraestruturas críticas de riscos que os adversários podem explorar”, de acordo com o Departamento de Estado.
Em agosto, o Estado comprou 14% da companhia, por 380 milhões de euros, incluindo um prémio de 55 milhões, um montante de 17% mais face ao valor das ações antes do negócio ser anunciado por Luís Montenegro, a uma sociedade de investimento detida pelo dono da Zara, o galego Amancio Ortega, a Pontegadea Inversiones.
O novo embaixador dos EUA em Portugal já tinha feito pontaria às empresas chinesas quando foi nomeado.
“Será correto que algumas das maiores empresas da China sejam proprietárias de algumas empresas de energia de Portugal?”, disse John Arrigo na sua audição de nomeação em julho de 2025 no Senado.
“Isso terá de ser discutido. Gostaria de me sentar e discutir todas as ameaças que temos entre o setor energético, a construção e os gastos com defesa em Portugal, para que faça a sua parte justa”, acrescentou o empresário do ramo automóvel na altura, com origem em Palm Beach no estado da Florida onde, curiosamente, a seleção nacional montou a sua base durante o Campeonato do Mundo de Futebol que teve lugar este verão nos EUA.
Portugal era o único dos 27 Estados-membros da União Europeia que não detinha uma participação no operador nacional da rede de transporte. Dos 27 países, 14 contam com uma rede totalmente pública. Em outros oito países, existem participações de privados nestas empresas, com o Estado a deter a maioria.
Juntando os 34 países da União Europeia com os do resto da Europa, também só Portugal é que tinha uma empresa completamente privada, com 18 países a a contarem com empresas 100% públicas.
O executivo de Luís Montenegro tem defendido a decisão com a importância de acelerar os investimentos na rede elétrica para desenvolver projetos de energia renovável.
“É mais uma ferramenta para defender o interesse publico numa empresa essencial para defender o sistema energético. Já podíamos influenciar a partir de fora. Vamos aumentar a capacidade do Estado de influenciar a partir de dentro”, segundo a ministra Maria da Graça Carvalho na sua audição no Parlamento esta semana.
A ministra também revelou que o Governo tinha vindo a preparar a compra desde 2024. tendo abordado o tema durante uma visita oficial à China em setembro de 2025. “Um dos acionistas é uma empresa pública chinesa. Não tivemos nenhum problema com esse facto, temos uma relação boa de diálogo e trabalho”, garantiu a ministra.

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