Banqueiros portugueses saúdam subida do rating para A+ pela Fitch
Com a última subida do rating pela Fitch, Portugal subiu de divisão na notação financeira e agora joga na mesma liga que França e Bélgica, sendo que só há seis países na Zona Euro que estão numa divisão acima em termos de rating.
Depois de o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ter classificado como “mais uma grande vitória de Portugal”, sobretudo por ocorrer “num contexto geopolítico e económico ainda marcado por incerteza e instabilidade”, foi a vez dos presidentes dos cinco maiores bancos comentarem o marco histórico.
Os principais banqueiros portugueses, em declarações ao Jornal Económico, elogiaram a decisão da Fitch de elevar o rating da República Portuguesa de A para A+.
Os CEO da Caixa Geral de Depósitos, do BCP, do Novobanco, do Santander Portugal e do BPI são unânimes em considerar que se trata de um reconhecimento da consolidação orçamental e do desempenho económico do país. Para além de apontarem o reforço da confiança dos investidores e a criação de condições mais favoráveis ao financiamento do Estado, das empresas e famílias.
Paulo Macedo: “Confirma o reforço da credibilidade financeira do país”
O CEO da CGD, Paulo Macedo, considerou que a subida “confirma o reforço da credibilidade financeira do país e a confiança conquistada junto dos mercados internacionais”, numa altura em que o custo da dívida pública tem vindo a subir em vários países. Segundo Paulo Macedo, o benefício para a economia traduz-se num “reforço da confiança dos investidores” e em condições mais favoráveis ao financiamento do Estado, das empresas e das famílias.
O banqueiro manifestou ainda a expectativa de que a evolução do rating soberano se reflita, no futuro, numa melhoria da notação da própria Caixa. “No caso da CGD, enquanto maior banco português, vemos esta evolução como um sinal positivo para a atratividade de Portugal, esperando que se venha a refletir no futuro na melhoria do rating da Caixa. Por outro lado, vem reforçar a nossa capacidade de apoiar o investimento, a internacionalização e a modernização da economia”, diz.
O CEO do banco do Estado sublinhou que “o próximo desafio é transformar essa confiança em mais produtividade, inovação e investimento, fatores decisivos para acelerar a convergência da economia portuguesa com os países mais desenvolvidos da Europa e sustentar futuras melhorias do rating”.
Miguel Maya: “Resulta do desempenho económico dos empresários portugueses”
Também o presidente do BCP, Miguel Maya, classificou a notícia como “muito positiva para Portugal”, atribuindo-a ao desempenho consistente dos empresários portugueses ao longo dos anos e à “política de rigor na gestão das contas do Estado”. Para o banqueiro, “todos os portugueses beneficiam desta importante evolução”.
Mark Bourke: “Importante reconhecimento dos progressos alcançados”
No Novobanco, o presidente executivo, Mark Bourke, sublinhou que a subida “é um importante reconhecimento dos progressos alcançados pelo país e da solidez dos seus fundamentos económicos”.
“Este upgrade reforça a confiança dos investidores e a atratividade de Portugal para o investimento internacional”, diz Mark Bourke.
O CEO do Novobanco associou a decisão da Fitch à recente aquisição do banco pelo Groupe BPCE, que, diz, “constitui uma demonstração concreta dessa confiança, refletindo a convicção de um dos principais grupos bancários europeus no potencial da economia portuguesa e nas suas perspetivas de longo prazo”. O banqueiro garantiu ainda que o Novobanco – agora reforçado pela integração num dos maiores grupos bancários da Europa – “continuará plenamente empenhado em apoiar o crescimento sustentável de Portugal, colocando o financiamento da economia e o serviço aos seus clientes no centro da sua atuação”.
Isabel Guerreiro: “Reconhecimento da transformação da economia”
Já a CEO do Banco Santander Totta, Isabel Guerreiro, associou a subida do rating à “transformação da economia que tem vindo a ser executada, traduzida em maior crescimento, menor endividamento e maior sustentabilidade das contas públicas”.
Isabel Guerreiro destacou os benefícios para a economia portuguesa de uma melhor perceção de risco, “ao permitir um acesso mais facilitado aos mercados com condições mais favoráveis, nomeadamente com spreads de crédito mais baixos, comparativamente com países como França ou Espanha. No global, isso permite reduzir os custos de financiamento para toda a economia, Estado, empresas e famílias, e compete-nos aproveitar esse benefício para continuar a promover o investimento, a criação de riqueza e o emprego”.
João Pedro Oliveira e Costa: “Vitória dos portugueses que contribuíram para o reforço da credibilidade externa”
Já o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, considerou a subida do rating “uma excelente notícia para o país”, que confirma o sucesso da trajetória de consolidação das contas públicas e representa “uma vitória de todos os portugueses que contribuíram para este reforço da credibilidade externa”.
O CEO do BPI sublinhou a relevância da decisão “num momento de alguma instabilidade nos mercados de dívida internacionais”, notando que, “na prática, esta melhoria reduz o custo de financiamento do Estado e beneficia as condições de financiamento de empresas e famílias, além de constituir um sinal de confiança para os investidores internacionais, numa altura em que a economia portuguesa tem dado mostras de resiliência”.
Impacto já em grande parte incorporado nas yields, diz Carregosa
O diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, colocou, no entanto, a decisão em perspetiva, notando que “uma parte significativa do benefício já estará refletida nos atuais níveis das yields da dívida portuguesa e no spread face à Alemanha”.
Segundo o analista, a passagem de A para A+ “não é tão transformadora como uma subida de BBB para A”, ainda que reforce a posição do país no universo investment grade — colocando Portugal, na escala da Fitch, ao nível de França e da Bélgica.
Filipe Silva admite que, “do ponto de vista da procura, esta melhoria poderá atrair novos investidores, sobretudo investidores institucionais sujeitos a restrições formais de rating, como fundos de pensões, seguradoras, fundos obrigacionistas e mandatos institucionais que estabelecem ratings mínimos ou limites de exposição em função da qualidade de crédito”.
“Ainda assim, o impacto marginal desta subida deverá ser relativamente reduzido, uma vez que Portugal já se encontrava confortavelmente dentro do universo investment grade e a S&P já atribuía ao país um rating de A+”, conclui.
Com a nova classificação, Portugal iguala países como França, Bélgica, Estónia, Lituânia, Eslovénia e Malta, ficando apenas seis países do euro com rating superior (Alemanha, Países Baixos, Luxemburgo, Áustria, Finlândia e Irlanda).
A agência de notação financeira Fitch, na subida do ‘rating’ de Portugal, destacou a redução da dívida pública, a melhoria dos saldos orçamentais e o crescimento económico.
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