Air France-KLM inclui opção de troca de ações na proposta para a TAP
O caderno de encargos para a privatização da TAP prevê a possibilidade de o Estado português receber, como contrapartida parcial ou total da venda, ações do grupo de aviação comprador. Mas, segundo apurou o Jornal Económico, apenas a Air France-KLM contempla essa opção na proposta vinculativa, enquanto a Lufthansa não inclui essa alternativa.
Confrontada a Air France-KLM não comenta. “Não comentamos detalhes relativos aos termos financeiros da proposta, que permanecem estritamente confidenciais”, diz fonte oficial.
A possibilidade de troca de ações, prevista no documento da venda direta de 44,9% da TAP, permite ao Estado receber ações da companhia compradora em vez de apenas dinheiro. No caso da Air France-KLM, que está cotada na Bolsa de Paris, o Estado poderia posteriormente vender essa participação em bolsa ou aguardar por uma eventual valorização.
Esta cláusula foi incluída depois de a auscultação inicial do mercado, dirigida a companhias aéreas com receitas superiores a cinco mil milhões de euros, ter revelado que esta opção poderia funcionar como fator de atração de propostas. O objetivo era, então, alargar o processo ao maior número possível de candidatos. Mas, no final, apenas dois operadores avançaram com propostas vinculativas: Air France-KLM e Lufthansa.
O Governo vai agora negociar bilateralmente com os dois candidatos, com o objetivo de obter propostas melhoradas e escolher posteriormente o comprador da TAP. Neste processo, é possível que peça que a contrapartida seja feita exclusivamente em dinheiro.
Na sexta-feira, 4 de setembro, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que as propostas vinculativas da Air France-KLM e da Lufthansa, apesar de terem conteúdos diferentes, apresentam uma “avaliação global de tal forma próxima” que justifica “um período de negociação final, de algumas semanas, com ambos os concorrentes”. O objetivo é obter propostas melhoradas e escolher “um único concorrente para a negociação finalíssima”.
António Leitão Amaro afirmou que a decisão procura “maximizar as possibilidades para o Estado português”, remetendo para as negociações bilaterais os detalhes sobre as condições que o Governo pretende assegurar. Acrescentou que a decisão está sustentada no parecer da Parpública e na avaliação técnica realizada no âmbito da privatização.
Embora não exista um prazo fixo para as negociações, está previsto que decorram até ao final de setembro. Depois, a Air France-KLM e a Lufthansa deverão apresentar as propostas finais revistas, seguindo-se um novo relatório de avaliação da Parpública, que será entregue ao Governo.
A previsão é que o vencedor da privatização da TAP seja conhecido em meados de outubro, depois da entrega do Orçamento do Estado no Parlamento, que tem de ser entregue até dia 10 de outubro, e antes do início da sua discussão.
Comparando as candidatas, a Lufthansa tem como vantagem o facto de pertencer à mesma aliança da TAP, a Star Alliance, o que poderá facilitar a obtenção de sinergias e, consequentemente, uma maior criação de valor. Se a vencedora for a Air France-KLM, a TAP terá de mudar para a SkyTeam, o que pode ser um processo potencialmente complexo e disruptivo.
A favor da Air France-KLM está, por outro lado, a experiência de operar com o Estado no capital, uma vez que os Estados francês e holandês são acionistas do grupo. Essa experiência poderá ser relevante na gestão da TAP uma vez que será vendida uma participação minoritária ficando o Estado com a maioria.
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