Puig compra 50% da Isdin à família Esteve por 1.200 milhões de euros
A espanhola Puig vai comprar à família Esteve os 50% que ainda não detinha do laboratório Isdin por 1.200 milhões de euros, numa operação que permitirá ao grupo catalão duplicar o negócio de dermocosmética e reduzir a dependência das fragrâncias, que representam atualmente mais de 70% da sua faturação.
A operação, anunciada esta segunda-feira, 14 de setembro, põe fim a 50 anos de parceria entre a Puig e a Corporación Químico-Farmacéutica Esteve na Isdin, empresa especializada em fotoproteção e cuidados da pele. Com a conclusão da transação, prevista para o primeiro trimestre de 2027, a Puig passará a deter 100% da Isdin, que até agora era contabilizada pelo método da equivalência patrimonial.
O grupo liderado por Marc Puig vai financiar a aquisição com recursos próprios e dívida bancária. Do montante total de 1.200 milhões de euros, 900 milhões serão pagos em dinheiro no momento do fecho da operação e os restantes 300 milhões no primeiro trimestre de 2029.
A aquisição surge depois de a Puig e a Estée Lauder terem interrompido, em maio, as negociações para uma possível fusão e antes da apresentação, prevista para outubro, do novo plano estratégico da cotada catalã. O reforço da dermocosmética deverá ser uma das prioridades desse plano, numa tentativa de diversificar as fontes de receita para além das fragrâncias.
A divisão de dermocosmética da Puig gerou cerca de 551 milhões de euros de receitas em 2025, o equivalente a 11% das vendas do grupo, que atingiram 5.042 milhões de euros. Por sua vez, a Isdin, liderada por Juan Naya, registou uma faturação de 648 milhões de euros no mesmo ano.
Com a integração integral da Isdin, as vendas da Puig na área de dermocosmética deverão aumentar cerca de 117%, segundo os dados divulgados pela empresa, fazendo com que o peso desta atividade no negócio consolidado do grupo possa praticamente duplicar.
“Ampliar a nossa presença em dermocosmética é uma prioridade estratégica para Puig”, afirmou José Manuel Albesa, CEO do grupo que detém marcas como Carolina Herrera e Rabanne.
A operação representa uma mudança relevante na estrutura do negócio da Puig, que procura reforçar áreas como os cuidados da pele e a beleza para equilibrar a exposição ao mercado de fragrâncias.
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