Petróleo acima de 100 dólares e yields em máximos pressionam mercados antes da decisão da Fed
Os mercados entram na terça-feira sob pressão do preço do petróleo elevado (Brent superou os 105 dólares e WTI acima de 102 dólares), das yields em máximos (as yields das obrigações a 10 anos dos EUA e da Alemanha batem recordes de 2007 e 2009, respetivamente), de expectativas fortes de subida de taxas da Fed na quarta-feira e das tensões geopolíticas no Médio Oriente (conflito EUA-Irão e perturbações no Estreito de Ormuz).
A boa notícia veio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou esta segunda-feira, 14 de setembro que a Ucrânia e a Rússia aceitaram deixar de atacar as infraestruturas energéticas uma da outra, no âmbito da guerra aberta entre os dois países.
“A Ucrânia aceitou não atacar alvos energéticos russos. A Rússia aceitou fazer o mesmo!”, indicou Trump numa mensagem publicada nas redes sociais.
“O aumento do preço do gasóleo a nível mundial deve-se principalmente à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, não ao Irão”, acrescentou o Presidente norte-americano na mesma mensagem, publicada na rede Truth Social.
Esta terça-feira, a consolidação nos equities e a volatilidade nos yields e commodities devem dominar, com foco em dados da China e do Reino Unido.
Os índices da New York Stock Exchange fecharam em queda esta segunda-feira. O S&P 500 caiu 0,48% para 7.619,98 pontos, o Dow Jones recuou 0,29% para 52.421,20 pontos e o Nasdaq Composite desceu 0,56% para 26.186,41 pontos.
Os investidores estão agora mais cautelosos devido a dois grandes problemas: o petróleo caro e os juros mais altos das obrigações (yields). Estes dois fatores prejudicam o valor das empresas, afetando principalmente as empresas de tecnologia, mesmo que a procura por tudo o que envolve Inteligência Artificial (IA) continue muito forte.
O mercado financeiro está focado em dois eventos principais esta semana e monitoriza alguns riscos que podem fazer as bolsas cair.
Por um lad0 os dados da indústria em Nova Iorque. Já que vai ser publicado o Empire State Manufacturing Index, que mede a saúde das fábricas na região de Nova Iorque. Espera-se que o resultado caia para cerca de 14,8 (abaixo dos 20,6 do mês anterior), mostrando um abrandamento na atividade industrial.
Por outro, a decisão da Fed na quarta-feira. Os investidores aguardam a reunião da Reserva Federal dos EUA (Fed). Há uma probabilidade muito alta (entre 87% e 93%) de que os juros subam 0,25 pontos percentuais (25 pontos-base).
O BCE já subiu taxas na semana passada (depósito a 2,5%) e agora a atenção desloca-se para o BoE (quinta, esperado manter 3,75%).
O Citigroup espera um retorno sobre o capital próprio acima dos 11% este ano
Nas empresas destaque ainda para o Citigroup, depois de o CFO, Gonzalo Luchetti, ter anunciado nesta segunda-feira que o banco espera que o seu retorno sobre o capital próprio tangível, conhecido como ROTE, fique um pouco acima dos 11% este ano. O banco também aumentará o volume de recompra de ações dos 13 mil milhões de dólares que adquiriu em 2025, acrescentou Luchetti numa conferência em Nova Iorque.
O banco prevê acelerar investimentos de cerca de 500 milhões de dólares até ao final do ano, incluindo medidas mais rigorosas para reduzir o número de colaboradores em algumas áreas e outros investimentos para apoiar o crescimento, como o marketing para cartões de crédito e a gestão de património.
Sem resultados de peso, a sessão deve ser guiada por macro e geopolítica. Risco de pressão se o petróleo continuar a subir ou se as yields romperem 5% de forma sustentada nas emissões de dívida soberana a 10 anos.
Europa afetada pelo petróleo e IA
Na Europa as principais praças europeias encerram em baixa, arrastadas pelo setor tecnológico e por empresas de IA, após líderes das maiores empresas de inteligência artificial terem proposto desacelerar o desenvolvimento da tecnologia por motivos de segurança. O PSI acompanhou a tendência europeia e fechou a cair 1,52%.
A pressionar o sentimento do mercado esteve também o novo escalar dos preços do petróleo, após a Arábia Saudita ter encerrado um importante pipeline após ter sofrido um ataque, gerando receios de um escalar da inflação e consequentemente a maiores subidas de taxas de juro.
A cotação do petróleo Brent para entrega em novembro terminou esta segunda-feira no mercado de futuros de Londres em alta de 1,02% para os 105,68 dólares, depois de ter chegado a superar os 109 durante a sessão.
O crude do Mar do Norte, de referência na Europa, fechou a sessão no Intercontinental Exchange a cotar 1,07 dólares acima dos 104,61 com que encerrou as transações na sexta-feira.
O encerramento de um importante oleoduto saudita, depois de ter sido alvo de ataques atribuídos a drones provenientes do Iraque, contribuiu para esta subida, uma vez que é decisivo para contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz.
“O oleoduto saudita pode transportar cerca de sete milhões de barris por dia desde o leste da Arábia Saudita até Yanbu, no Mar Vermelho, e constitui o itinerário mais importante de contorno do Estreito de Ormuz”, disse Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management.
“Ele desempenhou um papel essencial na atenuação da grave perturbação do aprovisionamento em petróleo provocada pela guerra ao Irão, pelo que o seu encerramento constitui uma grande preocupação”, reforçou David Morrison, do corretor Trade Nation.
Por outro lado, a Arábia Saudita solicitou o adiamento de uma reunião com o Irão, que deveria reunir hoje em Omã os Estados do Golfo Pérsico, segundo a diplomacia iraniana. O encontro deveria discutir o futuro do Estreito de Ormuz.
Inventários globais de petróleo continuam em queda e os dados semanais de stocks da API, previstos para terça à noite, serão acompanhados de perto.
No calendário económico, a atenção concentra-se nos números da China, com a publicação da produção industrial e das vendas a retalho de agosto, além dos dados do mercado de trabalho britânico, incluindo a taxa de desemprego. Nos Estados Unidos, o índice Empire State de manufatura de setembro é o principal destaque do dia.
Os yields das obrigações soberanas reforçam o ambiente restritivo. A yield da Treasury americana a 10 anos rondava ou superava os 5%, máximos desde 2023, enquanto a de 2 anos situava-se perto dos 4,66%. O mercado precifica uma probabilidade de 87% a 93% de uma subida de 25 pontos-base na reunião da Fed de quarta-feira. Na Europa, a yield do Bund a 10 anos e a do gilt britânico mantêm-se em níveis elevados.
Em resumo, o sentimento para esta terça-feira deverá ser pautado por um ambiente cauteloso, com risco de downside nas equities se petróleo e yields continuarem a subir. A decisão da Fed na quarta será o principal catalisador da semana. Os investidores vão continuar a monitorizar desenvolvimentos geopolíticos em tempo real, pois podem gerar swings rápidos.
Os conflitos no Médio Oriente continuam a ser a maior ameaça à economia mundial. O impasse político entre os Estados Unidos e o Irão mantém o preço do petróleo artificialmente alto e agrava o medo da inflação. Além disso, qualquer novo problema no Estreito de Ormuz (uma rota marítima vital para a energia) pode fazer os preços oscilar de forma repentina e violenta.
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