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Ministra diz que sistema Volta é obrigatório pela legislação europeia e não é a raiz do problema da falta de higiene urbana

Ministra diz que sistema Volta é obrigatório pela legislação europeia e não é a raiz do problema da falta de higiene urbana

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, pediu ao Governo que acabe com o sistema Volta. Diz que a medida está a provocar problemas de higiene urbana na capital e fala num “drama social sem precedentes”. Mas esta quarta-feira, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, questionada, rejeitou o apelo do autarca.
Maria da Graça Carvalho recusa voltar atrás no sistema de depósito e reembolso, dizendo que o sistema Volta é “uma obrigação europeia era uma reforma do PRR, está instalado em 19 países e foi aprovado por unanimidade pela Assembleia da República”. A ministra diz que o sistema de reembolso das garrafas de plástico e das latas tem corrido bem nos outros países, mas admitiu que “em alguns países houve problemas iniciais, e em Portugal, em algumas localidades também, mas que têm sido resolvidos”.
Garante que Governo vai agora concentrar-se em “identificar e resolver os problemas”.
A ministra recordou que Portugal já pagou cerca de 600 milhões de euros em multas à Comissão Europeia nos últimos dois anos por falhas na reciclagem de plástico.
O sistema Volta é muito importante, e está a ser bem sucedido uma vez que já conseguimos recuperar e reutilizar 304 milhões de embalagens de garrafas de plástico desde que o sistema foi implementado, a 10 de abril.
A ministra referiu, ainda, que já foi ultrapassada “a meta prevista de 40% e já vamos em 44%” das embalagens de plástico que foram recolhidas pelo Volta.
Maria da Graça Carvalho admitiu que já falou com Carlos Moedas e está ao corrente do problema (as pessoas vasculham os lixos à procura de latas ou garrafas de plástico para receber os 10 cêntimos) “que afetam sobretudo os aglomerados urbanos, onde há mais problemas sociais e  sem abrigo, e com problemas de limpeza urbana, mas esses problemas são mais estruturais e extravasam muito o retorno dos plásticas do sistema Volta”.
“Esse sistema Volta tornou mais visível esses problemas que precisam de ser resolvidos, sublinhou. Há um problema dos resíduos que é preciso resolver, mas o Volta não é a origem do problema”, diz lembrando que o “drama social” não está relacionado com o Volta, mas sim com a pobreza. Lembrou ainda a solução, adoptadas por outros países, de colocar as embalagens com sistema Volta num recipiente separado do resto do lixo, e aí já se evita a questão de espalhar o lixo.
“Já resolvemos o problema dos grandes festivais que havia com as grandes máquinas que são colocadas, estamos agora a ver com o canal Eureka, com os restaurantes e os bares e cafés, para resolver as questões relacionadas com o sistema Volta”, referiu.
O sistema Volta faz parte das reformas previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelo que o seu cumprimento dentro do prazo é considerado uma obrigação para o país, frisou a  ministra. “Se não concluíssemos esta reforma dentro do período do PRR, tínhamos um prejuízo muito grande”, afirmou.
“O sistema de recolha e limpeza urbana tem de ser melhorado em geral”, disse Maria da Graça Carvalho.
“Os resíduos são o nosso maior desafio a nível ambiental”, disse a ministra que admitiu ir a Copenhaga com autarcas para aprender a resolver o problema dos resíduos.
 

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