BlackRock sobre o aumento das taxas de juro da Fed: “É um acontecimento significativo”
A Reserva Federal norte-americana (Fed), liderada por Kevin Warsh, subiu as taxas de juro na quarta-feira 16 de setembro, em 25 pontos base, para o intervalo entre os 3,75% e os 4%, foi decidida por unanimidade. Trata-se do primeiro aumento desde 2023. Para o responsável pelo BlackRock Investment Institute, Jean Boivin, apesar da subida já ser “amplamente esperada” mesmo assim tratou-se de um “acontecimento significativo”.
“No início do ano, os mercados esperavam que a Fed já estivesse a flexibilizar a política monetária. A pressão política explícita por cortes nas taxas, a chegada de um novo presidente da Fed [Kevin Warsh] e a proximidade das eleições intercalares [de novembro] tornavam um aumento difícil de prever há apenas alguns meses”, assinalou Jean Boivin.
“No entanto, o FOMC [organismo da Fed que decide o rumo da política monetária] elevou as taxas [de juro] por unanimidade. O cenário macroeconómico – refletido nas próprias projeções da Fed – mudou o suficiente para tornar difícil justificar a não subida das taxas. Mas, ao dar seguimento à mensagem transmitida por Kevin Warsh em Jackson Hole, a Fed pôs em prática as suas palavras e ajudou a restabelecer a credibilidade do novo presidente. O achatamento da curva de juros dos títulos do Tesouro entre os 10 anos e os 30 anos corrobora esta leitura, sugerindo que o prémio de credibilidade exigido pelos investidores após julho está a diminuir”, acrescentou.
Contudo, o responsável pelo BlackRock Investment Institute referiu que acredita que os mercados “correm o risco de sobre-interpretar” o tom da conferência de imprensa. “O ênfase de Kevin Warsh na força da economia foi um ponto notável da conferência de imprensa. Os mercados interpretaram este ênfase como um sinal de política monetária restritiva”, assinalou.
“Com as ações a inverterem os ganhos anteriores e o rendimento dos títulos do Tesouro a 10 anos a voltarem a ficar acima dos 5%, à medida que os investidores precificavam um maior aperto monetário, acreditamos ser importante distinguir a necessidade de salvaguardar a credibilidade da Fed do início de um ciclo sustentado de subidas das taxas de juro. É importante realçar que uma subida que fortaleça a credibilidade, num contexto de crescimento mais robusto, não tem de ser uma má notícia para os ativos de risco”, considerou.
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