Depois de mais uma derrota, chanceler Merz convoca o partido mas recusa sair
Mais um dia de eleições regionais na Alemanha que vem acrescentar pressão política ao chanceler Friedrich Merz: não havia dúvidas para ninguém que Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental cairia para o lado dos neo-nazis da Alternativa para a Alemanha (AfD), mas os democratas-cristãos da CDU tinham esperança numa vitória na capital, Berlim. Mas ela não aconteceu: foram imediatamente divulgadas as primeiras projeções e sondagens de boca de urna mal a votação acabou, o a capital deverá ser ganha pela esquerda do Die Linke.
Na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as projeções apontam para uma forte vitória do AfD, com cerca de 37% a 38% dos votos – mas não irá com certeza além dos 16% em Berlim. O governo cessante era liderado pelo SPD em coligação com o Die Linke, num Estado do nordeste era governado pelo centro-esquerda há quase 30 anos, sob a liderança da atual governadora regional, Manuela Schwesig.
O chanceler Friedrich Merz já reagiu publicamente assumindo o resultado no Estado de Mecklemburgo como um “desastre” para o seu partido, a CDU. Em Berlim, até à realização destas eleições, a cidade era governada por uma coligação liderada pela CDU em parceria com os social-democratas do SPD. A corrida apresenta-se muito fragmentada, mas, se se confirmar a vitória do Die Linke, a derrota de Merz assumirá proporções difíceis de ultrapassar.
Perante o cenário de crise política em ambas as frentes (Berlim e Mecklemburgo), Merz adotou uma postura de gestão de danos: cancelou a sua viagem prevista para Nova Iorque (onde iria participar na Assembleia Geral das Nações Unidas) e convocou uma reunião de emergência com a liderança nacional da CDU na capital alemã para delinear os próximos passos. O objetivo, segundo a imprensa germânica, é blindar a sua liderança contra as vozes críticas da ala conservadora da CDU, conter a contestação interna e estancar discussões sobre a sua substituição. Mas não é certo que consiga alcançar esse objetivo – principalmente porque a economia não está a responder favoravelmente.
Em vez de recuar face à impopularidade, Merz anunciou que vai acelerar e “manter firmemente” o rumo das reformas estruturais planeadas pelo seu executivo de coligação, focadas na economia e na segurança social. O chanceler defende que a concretização destas reformas é o único “remédio” a longo prazo para enfraquecer o voto de protesto na AfD e no Die Linke.
A 6 de setembro passado, no estado da Saxónia-Anhalt. a CDU sofreu um forte revés ao ficar em segundo lugar com apenas 17,2% dos votos – num contexto em que o grande vencedor foi o AfD, que obteve uma vitória expressiva de 43,8%. Na altura, Friedrich Merz já tinha classificado esse resultado como um “dia sombrio” e uma viragem política com impacto em toda a Alemanha, numa sequência de derrotas que agora se agravou com os resultados em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
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