DBRS melhora perspetiva do Santander Totta para positiva e confirma rating em “A”
A Morningstar DBRS alterou a tendência dos ratings do Banco Santander Totta para positiva, de estável, e confirmou a notação de longo prazo do banco em “A”, segundo comunicado divulgado pela agência.
A decisão segue-se à revisão da perspetiva da casa-mãe, o espanhol Banco Santander, cujo rating de longo prazo foi confirmado em A (high), também com a tendência a passar a positiva. A notação de curto prazo do Totta mantém-se em R-1 (low).
A agência atribui ao Santander Totta uma avaliação de suporte SA1, o que implica um apoio forte e previsível da casa-mãe, pelo que os ratings do banco português tenderão a acompanhar os do grupo. O Totta é considerado uma peça central da estratégia internacional do Santander.
O Santander Totta é o terceiro maior banco português, com ativos de 60 mil milhões de euros no final de junho, uma quota de mercado de cerca de 16,3% no crédito e de 12,6% nos depósitos, e cerca de dois milhões de clientes ativos. A base de clientes digitais ascendeu a aproximadamente 1,35 milhões, contra 1,15 milhões em 2023.
Em 2025, o banco registou um lucro de 963,8 milhões de euros, menos 1% do que em 2024. A margem financeira caiu 13%, penalizada pela descida das taxas de juro, mas o impacto foi em grande parte compensado pelo aumento de 7% das comissões, para 484,3 milhões de euros, e por menores custos com risco de crédito. A rendibilidade dos capitais próprios, calculada pela agência, fixou-se em 22,9% e o rácio de eficiência em 28%.
No primeiro semestre de 2026, o lucro consolidado foi de 434 milhões de euros, cerca de 14% abaixo do período homólogo, refletindo menor rendimento operacional, maiores imparidades e 18,8 milhões de euros de custos não recorrentes.
Qualidade dos ativos e capital
O rácio de exposições não produtivas recuou para 1,3% no final de junho, face a 1,4% no fim de 2025 e 1,6% no fim de 2024. O crédito a clientes cresceu cerca de 8% em 2025 e mais 5% no primeiro semestre deste ano.
Os depósitos de clientes, que representam 71% do financiamento, subiram cerca de 3% desde dezembro, para 40,6 mil milhões de euros, com um rácio de transformação de 109%. O rácio de cobertura de liquidez situava-se em 142,5% e o de financiamento estável líquido em 120%.
O rácio CET1 fully loaded fixou-se em 13,8% no final de junho, contra 13,5% no fim de 2025, o que deixa uma margem de cerca de 3,5 pontos percentuais acima do requisito mínimo do SREP para 2026.
A Morningstar DBRS indicou que subirá os ratings do Santander Totta se o fizer para os do Santander, e que uma descida é improvável dada a tendência positiva. A tendência voltará a estável se a do Santander regressar a estável ou se houver sinais de menor apoio da casa-mãe.
Já os ratings do Santander dependem, por sua vez, da manutenção do rating soberano de Espanha em pelo menos A (high). A agência nota que a avaliação intrínseca do grupo está alinhada com a do soberano espanhol, pelo que ações de rating sobre Espanha podem repercutir-se no Santander Totta.
O que sustenta a decisão no grupo Santander?
Para o Santander, a agência aponta a marca diversificada, a expansão no Reino Unido e na América do Norte e a melhoria dos resultados. O grupo lucrou 8.973 milhões de euros no primeiro semestre, contra 6.833 milhões um ano antes, com um ROE de 15,1%. Concluiu a compra do TSB no segundo trimestre e da Webster Financial em agosto, esperando-se que esta última reduza o rácio CET1 do grupo para um intervalo entre 12,8% e 13%.
A agência aponta como riscos o custo do risco mais elevado do que o de pares com rating semelhante, devido à exposição a mercados emergentes, e os riscos de execução na integração das aquisições recentes.
Share this content:



Publicar comentário