EUA: Yields a 30 anos em máximos de 2002 com responsável da Fed a sinalizar mais subidas de juros
Continua o disparo nos juros das dívidas soberanas ocidentais e esta terça-feira foram os títulos norte-americanos a 30 anos que bateram máximos de 2002, dando continuidade à subida registada no dia anterior. Esta evolução fica em linha com os comentários de um dos governadores da Fed sobre a necessidade de “recalibração”, sugerindo que estão mais subidas de juros no horizonte.
Os títulos do Tesouro a 30 anos chegaram a negociar a 5,613%, o valor mais alto desde 2002, enquanto os a 10 anos, a maturidade de referência para os mercados, subiram 4 pontos base (pb) até 5,281%, isto depois de no dia anterior ter chegado a 5,274% e estabelecido novos máximos desde 2007.
Este é novo capítulo na tensão que se tem vivido nos mercados, sobretudo nos de dívida pública, à medida que a questão energética vai tornando a inflação mais persistente e duradoura. Em resposta, os bancos centrais ver-se-ão obrigados a subir taxas e manter políticas restritivas durante mais tempo do que se antecipava, pressionando as yields soberanas.
Precisamente nesta linha, o governador da Reserva Federal, Michael Barr, afirmou esta terça-feira que “é necessário recalibrar a política”, pelo que deverá haver “mais ajustes” em breve.
“Não vejo ainda uma tendência clara para um regresso próximo a 2%”, disse o responsável do banco central no seu discurso num evento em Detroit. A pressão nos preços continua elevada, reconheceu, bem como que a Fed acabou por “ser desviada” do objetivo para a inflação.
Como tal, “mais ajustes de política deverão ser necessários para garantir que a inflação baixa para o objetivo de forma rápida”, acrescentou. Os mercados tomaram estes comentários como uma forte indicação que a Fed voltará a subir os juros diretores, isto depois de ter decidido um aumento de 25 pontos base (pb) na reunião mais recente.
Segundo a FedWatch Tool, da CME Group, os investidores estão a atribuir uma probabilidade implícita de 68% a nova subida na reunião de outubro e 58% na reunião de dezembro, o que significaria mais 50 pb no final deste ano.
No que respeita ao mercado laboral, Barr fez também soar os alarmes, falando na “possibilidade de disrupções sérias de curto-prazo”, sobretudo fruto do desenvolvimento do sector de inteligência artificial (IA).
Numa nota mais otimista, o membro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) projetou que o crescimento acelere na segunda metade do ano, isto depois de ter corrido em linha com uma leitura final anual de 2% no primeiro semestre.
A economia norte-americana também tem demonstrado uma resistência assinalável perante os choques negativos externos, muito à custa de um sector de IA e tecnologia que vem registando ganhos robustos, um factor que ajuda a explicar a evolução das yields. Ao mesmo tempo, este segmento tem emitido dívida em montantes nunca antes vistos no sector não-financeiro norte-americano, empurrando consigo as taxas dos títulos soberanos.
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