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Poupança das famílias portuguesas atinge recorde de 27,5 mil milhões de euros em 2025

Poupança das famílias portuguesas atinge recorde de 27,5 mil milhões de euros em 2025

A nova poupança das famílias portuguesas atingiu um máximo histórico de 27,5 mil milhões de euros em 2025, mais do triplo da média dos últimos 20 anos, segundo o Allianz Global Wealth Report 2026 divulgado esta segunda-feira, que analisa a evolução dos ativos e da dívida das famílias em quase 60 países.
Os ativos financeiros das famílias portuguesas cresceram 6,5%, para 627,8 mil milhões de euros, superando a expansão de 4,5% registada na Europa Ocidental. Em termos reais, descontando a inflação, o avanço foi de 4,2% no ano passado e acumula 14% desde 2019, contra apenas 0,5% na Europa Ocidental.
Dos 27,5 mil milhões de euros de nova poupança, 47,9% foram canalizados para depósitos, 35,8% para títulos mobiliários e 14,6% para seguros e pensões. Os títulos registaram o maior crescimento entre as classes de ativos (8,6%), seguidos de seguros e pensões (7,4%) e depósitos (4,9%).
Os passivos das famílias aumentaram 7,7%, para 214,1 mil milhões de euros. Ainda assim, os ativos financeiros líquidos subiram 5,9%, para 413,7 mil milhões de euros, o que corresponde a 39.730 euros per capita e coloca Portugal na 24.ª posição do ranking mundial.

“A nova poupança das famílias portuguesas atingiu um máximo histórico de 27,5 mil milhões de euros em 2025, mais de três vezes superior à média dos últimos 20 anos e acima dos cerca de 21 mil milhões de euros registados em 2024. No mesmo período, os ativos financeiros cresceram 6,5%, para 627,8 mil milhões de euros, superando os 4,5% registados na Europa Ocidental”, revela a 17.ª edição do Allianz Global Wealth Report.

A nível global, os ativos financeiros atingiram um recorde de 268,4 biliões de euros, com crescimento de 8,6%, num ano em que os mercados foram responsáveis por quatro em cada cinco euros de riqueza adicional.
Já a nova poupança mundial, no entanto, caiu 5,4%, para 4,1 biliões de euros. Cerca de quatro em cada cinco euros da nova riqueza financeira resultaram da valorização dos mercados.
“Em 2025, a riqueza global voltou a atingir um valor recorde, mas essa é apenas uma parte da história”, afirmou Ludovic Subran, economista-chefe e CIO da Allianz. “Desde 2019, os ativos financeiros cresceram 50% em termos nominais. No entanto, descontando o efeito da inflação, esse crescimento reduz-se para 23%. Na Europa Ocidental, a realidade é ainda mais expressiva: os ativos financeiros aumentaram apenas 0,5% em termos reais desde 2019.”
O relatório aponta a inteligência artificial como um dos fatores que poderá influenciar a evolução da riqueza nos próximos anos. A Allianz Research estima um crescimento de cerca de 9% nos ativos financeiros globais em 2026, mas alerta para riscos ligados a valorizações elevadas e à concentração da propriedade de ativos.
“A inteligência artificial poderá tornar-se um dos principais motores de criação de riqueza das próximas décadas, mas a questão fundamental é quem terá acesso a essa riqueza”, disse Katharina Utermöhl, responsável de Thematic & Policy Research da Allianz Research.

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