Portugal em 4º lugar da intermediação de crédito à habitação na Europa. ANICA integra federação europeia
A Associação Nacional de Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA) realiza esta quarta-feira a 4.ª Convenção Nacional, num encontro que reúne profissionais do setor, representantes institucionais e especialistas para debater as mudanças no mercado de crédito e os desafios da atividade.
Na abertura da Convenção, o presidente da ANICA, Tiago Vilaça, anunciou a integração da associação na FECIF – Federação Europeia de Consultores Financeiros e Intermediários de Crédito, reforçando a presença portuguesa na representação dos interesses do setor a nível europeu.
Portugal no top 4 da intermediação hipotecária na Europa
A entrada na federação coincide com a divulgação de um estudo comparativo da FECIF sobre dez mercados europeus, que coloca Portugal no quarto lugar no ranking da intermediação de crédito na distribuição de crédito à habitação. Segundo o levantamento, 57% do crédito hipotecário em Portugal é distribuído através de intermediários de crédito, um valor apenas superado pelo Reino Unido (87%), Polónia (70%) e Eslováquia (60%).
O estudo, coordenado pela FPKOSZ – a associação húngara de intermediários de crédito –, foi realizado entre 28 de março e 18 de maio deste ano e compara ainda os mercados da Alemanha, Áustria, França, Hungria, Itália e Espanha.
Os resultados do inquérito confirmam que o crédito à habitação continua a ser o segmento central da atividade dos intermediários na Europa, a par de uma crescente função consultiva e de apoio ao consumidor. No segmento do crédito ao consumo sem garantia, Portugal surge com uma quota de 22% na intermediação — abaixo de países como Itália (50%), Eslováquia e Hungria (25% cada), mas acima de Espanha (15%), Alemanha (10%) e Reino Unido (5%).
A FECIF destaca ainda que, em vários mercados europeus, mais de metade do crédito hipotecário já é canalizado através de intermediários, um peso que, na perspetiva da federação, “não está refletido no enquadramento regulamentar europeu” em extensão correspondente à importância real destes profissionais na distribuição de crédito.
O relatório aponta para desafios comuns aos dez mercados analisados, nomeadamente a fragmentação regulamentar entre Estados-membros, o peso crescente da carga administrativa e de conformidade, e a digitalização desigual dos processos.
Em Portugal, os respondentes identificaram como principais dificuldades os encargos de reporte, a integração fragmentada com os bancos e a falta de formação contínua.
O estudo evidencia ainda a limitação do acesso direto dos intermediários a bases de dados públicas — como registos de crédito ou prediais —, que em vários países permanece indisponível, obrigando a processos duplicados de documentação.
Face a este cenário, a FECIF apresenta um conjunto de recomendações regulatórias preliminares, entre as quais uma maior harmonização das regras de intermediação de crédito na UE, o reconhecimento formal dos intermediários como profissionais financeiros regulados, a simplificação dos requisitos de informação ao consumidor e o desenvolvimento de um ecossistema europeu genuíno de open finance.
A 4.ª Convenção Nacional da ANICA decorre hoje com um programa que junta profissionais do setor e especialistas para discutir precisamente estas questões: a evolução do mercado de crédito e os desafios que se colocam à atividade de intermediação em Portugal e na Europa.
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