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Perder com os ‘finfluencers’

Perder com os ‘finfluencers’

Um estudo do banco britânico TSB, recentemente citado pelo PT50, revela que mais de metade dos britânicos que seguiram conselhos financeiros vindos das redes sociais, através dos chamados finfluencers, acabaram por perder dinheiro. O resultado é caricato se tivermos em conta que, nos últimos anos, os mercados financeiros têm estado predominantemente em alta. Perder dinheiro num bull market generalizado exige um esforço assinalável e demonstra que os conselhos foram, em média, bastante fracos.
É preciso fazer uma distinção: é excelente que haja quem fale de ativos e mercados e promova a literacia financeira, um esforço que eu próprio partilho e incentivo. Conheço excelentes criadores de conteúdo que fazem um trabalho sério, pedagógico e sem conflitos de interesses. Há o trigo e há o joio. O problema reside nos perfis, infelizmente atrativos, em que a competência escasseia e os incentivos estão perversamente desalinhados.
Em primeiro lugar, muitos finfluencers não têm conhecimentos técnicos, experiência ou certificação. A forma da mensagem é sempre sedutora, mas o conteúdo técnico é fraco e irresponsável. Em segundo lugar, ignora-se uma regra básica da regulação e do bom senso: a consultoria financeira tem de ser personalizada. A recomendação exige a adequação aos conhecimentos, património, objetivos e perfil de risco de cada investidor. Um conselho genérico atirado para milhares de seguidores é, por definição, um mau conselho financeiro.
Finalmente, e talvez mais grave problema é a falta de alinhamento de interesses. Muitas destas personalidades operam como meros comissionistas de intermediários financeiros. O seu modelo de negócio não passa por ajudar o seguidor, mas sim por ganhar dinheiro com a abertura de contas ou com o volume de transações gerado pelos seus links de afiliados. Pouco lhes importa se o ativo é adequado porque o objetivo é apenas garantir que a “vítima” coloca lá o capital.
As perdas provocadas por estes finfluencers têm uma consequência perversa: dão mau nome aos mercados e afastam as pessoas de ativos que são necessários na construção de carteiras de investimento que permitam combater a inflação e criar património para o futuro.
Entretanto, emerge agora a Inteligência Artificial (IA) como nova ferramenta de aconselhamento. Tudo o que ajudar à literacia financeira é positivo, mas atenção à falsa sensação de segurança que as respostas da IA poderão dar. Mas isso… ficará para outro artigo.

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