Dinheiro ou ações? Na venda da TAP o que conta é o valor mais alto
A privatização da TAP descola para a sua reta final.
Entregues as ofertas melhoradas para a compra de 44,9% da companhia aérea estatal, o Governo vai decidir quem é o vencedor até meados de outubro. A decisão vai ser tomada com base na melhor proposta financeira apresentada pela Air France-KLM e a Lufthansa, mas também em quem apresentar o melhor plano industrial e estratégico de longo prazo, o que inclui a manutenção do ‘hub’ da TAP em Lisboa.
Em termos de oferta financeira, as regras preveem a possibilidade de propostas em dinheiro, mas também em ações das companhias interessadas. Indo de encontro ao que está previsto no caderno de encargos da privatização da TAP, para o Governo a oferta pode vir só numa modalidade ou ser uma mistura de ambas. Isto é, o vencedor pode fazer a oferta toda em ações ou toda em ‘cash’. Mas, o que conta no final é o valor total financeiro da oferta, quer ela seja
só em ‘cash’, ou só em ações, ou um mix das duas, sabe o Jornal Económico. Isto, a par, claro, do plano industrial e estratégico que inclui o crescimento da frota e o desenvolvimento do novo aeroporto de Lisboa.
O ministro das Infraestruturas revelou esta semana que espera ter o vencedor decidido até meados de outubro. “São
cerca de 15 dias para tomar a decisão, até meados de outubro”, disse Miguel Pinto Luz na terça-feira na conferência da Confederação do Turismo de Portugal (CTP). O governante destacou o acordo parassocial e o governo de sociedade como mecanismos que vão permitir manter a gestão global nas mãos do Estado, com a gestão corrente da empresa nas mãos de privados. “Vários mecanismos existirão, a gestão é pública, não abdicaremos”, afirmou.
Há avaliações que colocam a TAP a valer, na sua totalidade, entre 1,6 mil milhões a dois mil milhões, o que coloca a fatia de 45% da privatização na casa dos 800 milhões a mil milhões de euros, segundo fontes do setor.
Mas a “Bloomberg” revelou esta quinta-feira que as ofertas foram superiores a mil milhões de euros cada, o que coloca a companhia a valer mais de dois mil milhões.
A Lufthansa foi a primeira companhia aérea a reagir à entrega da oferta melhorada. “A nossa proposta reflete a nossa convicção de que, com base no nosso historial comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o Grupo Lufthansa é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, reforçar a sua competitividade e continuar a desenvolver o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira de Portugal”, disse a Lufthansa.
Já o presidente da Air France-KLM Benjamin Smith sublinhou que a sua proposta final inclui “um plano estratégico ambicioso a longo prazo, que acreditamos posicionar melhor a TAP para o futuro. A nossa proposta foi concebida em torno de uma transportadora de bandeira portuguesa mais forte, com Lisboa como o hub exclusivo do grupo Air France-KLM no Sul da Europa”.
O retrato do comprador pretendido pelo Governo para a TAP é o de uma companhia aérea que aposte na promoção do crescimento da TAP nas plataformas estratégicas e em rotas para os Açores e a Madeira, para a diáspora e para os países de língua portuguesa; que garanta o reforço da frota, o investimento em manutenção e engenharia e a aposta na produção de combustíveis sustentáveis; que ofereça a melhor proposta financeira; e que esteja disponível para reforçar a participação acionista.
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