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EUA: Criação de emprego desilude em setembro e dá margem de manobra à Fed

EUA: Criação de emprego desilude em setembro e dá margem de manobra à Fed

A criação de emprego nos EUA desiludiu em setembro, com apenas 29 mil novos postos face a uma expectativa de 84 mil, enquanto a taxa de desemprego subiu marginalmente para 4,2%. Esta leitura dá força aos membros da Reserva Federal que pretendem manter os juros inalterados na próxima reunião, com as expectativas de mercado já a ajustarem nesse sentido.
Os números divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho apontam para uma criação de emprego muito abaixo do esperado em setembro, reforçando a ideia de que o mercado laboral, durante largos trimestres o aspeto mais positivo da economia norte-americana, dá sinais de abrandamento.
Além dos números desapontantes de setembro, agosto viu uma revisão considerável em baixa dos dados de julho e agosto. Para julho, o ganho de 21 mil postos inverteu-se, mostrando agora uma destruição de 10 mil empregos, enquanto os valores de agosto foram atualizados em baixa de 162 mil para 133 mil.
Combinados, os meses de julho e agosto afinal viram menos 60 mil postos de trabalho criados do que inicialmente reportado.
O sector da saúde foi, uma vez mais, o que mais contribuiu para a criação de emprego na maior economia do mundo, com 13 mil postos nos serviços de ambulância e outros 12 mil nos hospitais. Também na indústria houve ganhos assinaláveis e que contrastam com a queda de 7 mil registada no segmento dos serviços financeiros.
Ainda assim, de notar que a taxa de subutilização do trabalho recuou para o nível mais baixo desde janeiro de 2025.
Para os mercados, este foi mais um sinal de que a Reserva Federal poderá não ter, afinal, de continuar a subir juros, como se temia até há uma semana. De acordo com a FedWatch Tool, do CME Group, a probabilidade implícita de nova subida de 25 pontos base (pb) é agora de apenas 20,5%, isto quando no dia anterior estava em 24,4%.
Há uma semana, o mercado dava 64,2% de probabilidade a uma decisão desta natureza, sublinhando a inversão de expectativas que se tem registado nos últimos dias.
O arrefecimento do mercado laboral dá mais margem de manobra à Fed para avaliar a situação, que permanece volátil e incerta, em vez de arrancar com mais subidas de juros que tornariam as condições mais apertadas e, por conseguinte, arriscavam cada vez mais despoletar uma recessão.
Ainda assim, e antes de serem conhecidos os números do emprego em setembro, Lorie Logan, presidente da Fed de Dallas, havia argumentado que provavelmente seriam necessários mais 50 pb de subidas para trazer a inflação de volta aos 2%, objetivo de médio-prazo que já não se verifica desde 2021.

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