Bancos franceses veem risco de crédito superar pares europeus com agravamento das preocupações sobre França
O custo de assegurar a dívida dos bancos franceses contra um eventual incumprimento ultrapassou o de outros grandes bancos europeus, num sinal de que as crescentes preocupações dos investidores com a situação orçamental e política de França começam a contaminar o setor financeiro, avançam a Bloomberg e a Reuters.
Segundo dados citados pela Bloomberg, os credit default swaps (CDS) a cinco anos sobre a dívida sénior do Société Générale atingiram esta segunda-feira um custo de cerca de 103.000 euros para assegurar um montante nominal de 10 milhões de euros. O valor compara com cerca de 86.500 euros no caso do Deutsche Bank, uma diferença de 16.500 euros.
A subida dos custos de proteção abrange também outros grandes bancos franceses, incluindo o BNP Paribas e o Crédit Agricole, cujos spreads de CDS se encontram acima dos de vários pares no Reino Unido, Alemanha, Suíça e Espanha.
Os CDS (Credit Default Swaps) são uma espécie de seguro contra o risco de incumprimento de uma dívida. Quanto mais alto o CDS, maior é o risco de crédito que o mercado está a atribuir à entidade.
A evolução ocorre num contexto de forte pressão sobre a dívida soberana francesa. O diferencial entre as obrigações francesas a 10 anos e as Bunds alemãs ultrapassou os 150 pontos base, atingindo níveis não vistos desde a crise da dívida da zona euro, enquanto os CDS soberanos franceses subiram para cerca de 87 pontos base, o nível mais elevado desde o início de 2013.
Os receios estão relacionados com a deterioração das contas públicas francesas e com a incerteza política antes das eleições presidenciais de 2027. O Governo francês procura obter 54 mil milhões de euros de poupanças no projeto de orçamento para 2027, num contexto de elevada dívida e dificuldades em alcançar consensos políticos.
A pressão sobre os bancos é particularmente relevante devido à exposição significativa que mantêm à dívida soberana francesa. Uma subida persistente das yields das obrigações do Estado pode aumentar os custos de financiamento dos bancos e introduzir maior volatilidade nos seus rácios de capital. Uma análise da Scope Ratings apontava para exposições ao soberano francês entre 40 e 100 mil milhões de euros nos principais bancos, equivalentes a entre 40% e 150% do respetivo capital CET1.
Apesar do aumento do risco percebido pelos mercados, os bancos franceses continuam a apresentar níveis de capital considerados robustos. A Scope indicava, por exemplo, um rácio CET1 médio de 14,97% no segundo trimestre de 2025 para os bancos analisados.
A deterioração do risco bancário ocorre numa altura em que a turbulência nos mercados franceses já está a ter impacto sobre o euro. A moeda única caiu esta segunda-feira para um mínimo de 17 meses, pressionada pelos receios sobre a dívida francesa e pela possibilidade de contágio a outros mercados europeus.
O movimento dos CDS sugere, assim, que o problema deixou de estar concentrado apenas na dívida do Estado francês e começa a refletir-se também no custo de financiamento e no risco percebido dos seus maiores bancos.
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