Seguros: risco cibernético e incerteza económica dominam preocupações dos líderes empresariais europeus
Os riscos cibernéticos e digitais, a inteligência artificial e a incerteza económica são as três principais preocupações dos líderes empresariais europeus, num contexto em que a gestão de risco ganha peso na estratégia das empresas, segundo um estudo da Worldwide Broker Network (WBN) intitulado “New Risk Reality Report”.
A investigação explora a forma como os líderes estão a reavaliar as suas perceções, pressões e prioridades quando se trata da tomada de decisões sobre a gestão de riscos — especialmente à medida que os ciberataques se intensificam, a instabilidade geopolítica aumenta e a fragilidade da cadeia de abastecimento cresce.
O inquérito, realizado junto de 1.000 responsáveis de topo do Reino Unido, França, Alemanha e Espanha com responsabilidades na compra ou renovação de seguros, mostra que quase metade considera uma estratégia de gestão de risco proativa como o segundo fator mais importante para a resiliência das organizações, apenas atrás da inovação e da transformação digital.
A perceção sobre o papel estratégico dos seguros, no entanto, varia significativamente entre os quatro mercados. No Reino Unido, 51% dos líderes consideram o seguro comercial sobretudo um investimento estratégico que contribui para a resiliência e o desempenho empresarial, contra 35% em França e Espanha e 29% na Alemanha.
Na Alemanha, 45% dos inquiridos veem o seguro principalmente como uma salvaguarda operacional crítica, uma proporção bastante acima da média global de 34%. Os líderes alemães são também os únicos a colocar os modelos claros de governação e tomada de decisão, juntamente com uma estratégia de gestão de risco proativa, entre os principais fatores de resiliência.
A subida dos prémios é a principal preocupação relacionada com os seguros em França, apontada por 48% dos inquiridos, seguindo-se a Alemanha, com 43%, o Reino Unido, com 41%, e Espanha, com 37%. No mercado espanhol, as preocupações estão também fortemente ligadas à capacidade para cobrir catástrofes naturais, referida por 40%, e à adequação das coberturas, por 36%.
O estudo mostra ainda diferenças na importância atribuída aos corretores de seguros. No Reino Unido, 55% dos líderes apontam a qualidade do serviço como o principal critério na escolha de um corretor. Em França, 45% privilegiam o preço e o custo total do risco, enquanto em Espanha o preço é referido por 39%, seguido da especialização no setor, com 38%, e da dimensão da rede internacional, com 35%.
Nove em cada dez líderes europeus consideram que a função de gestão de risco das suas empresas tem uma boa reputação, mas identificam relações mais próximas e consultivas, em vez de transacionais, como o principal fator que poderia melhorar essa função.
A instabilidade geopolítica é uma preocupação mais relevante na Europa continental do que no Reino Unido. Está entre os três principais riscos em França, Alemanha e Espanha, enquanto no Reino Unido as principais preocupações incluem a cibersegurança, o impacto da inteligência artificial e a incerteza económica.
O estudo da WBN, realizado em parceria com a MarshBerry, incluiu ainda 750 líderes nos Estados Unidos e Canadá. Nos EUA, 49% consideram o seguro comercial crucial para a resiliência e o desempenho, uma percentagem próxima dos 51% registados no Reino Unido e bastante acima dos valores observados em França, Espanha e Alemanha.
Nos Estados Unidos, metade dos inquiridos aponta a subida dos prémios e a acessibilidade dos seguros como a principal preocupação, a maior percentagem entre os mercados analisados.
“É cada vez mais uma parte integrante do planeamento empresarial ao nível dos conselhos de administração, em vez de ser visto como uma reflexão posterior ou um centro de custos”, afirmou Olga Collins, CEO da WBN.
A WBN é uma rede independente de corretagem de seguros e benefícios para trabalhadores que reúne mais de 150 empresas em mais de 100 países, com receitas anuais agregadas superiores a 14 mil milhões de dólares e 123 mil milhões de dólares em prémios colocados.
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