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Eleições na Bósnia-Herzegovina: nacionalistas sérvios agradecem vitória a Putin e a Trump

Eleições na Bósnia-Herzegovina: nacionalistas sérvios agradecem vitória a Putin e a Trump

No quadro de uma queda significativa na participação eleitoral, que foi de apenas 42,2% (menos nove pontos que em 2022), e numa altura em que os resultados finais ainda estão por apurar, o partido nacionalista sérvio de Milorad Dodik consolidou a posição dominante da República Srpska) no quadro do poder tripartido da federação, ao mesmo tempo que a candidata croata Darijana Filipovic parece destinada a tornar a nova integrante da presidência (também ela tripartida) da Bósnia-Herzegovina.
Com mais de 90% dos votos apurados nas eleições gerais, os resultados preliminares já divulgados indicam uma nova composição para a presidência tripartida do país. A presidência deverá ser composta por Denis Becirovic, da coligação Unidos pela Bósnia-Herzegovina, como membro bósnio; Darijana Filipovic, da União Democrática Croata da Bósnia-Herzegovina (HDZ BiH), como membro croata; e Zeljka Cvijanovic, da Aliança dos Social-Democratas Independentes (SNSD), como membro sérvio.
Becirovic conquistou um segundo mandato como membro bósnio da presidência com 38,12% dos votos, à frente de Bakir Izetbegovic, líder do Partido da Ação Democrática (SDA), com 33,98%, e de Semir Efendic, do Partido para a Bósnia-Herzegovina, com 25,75%.
O candidato do HDZ BiH, Filipovic, venceu a disputa pelo lugar croata com 46,55% dos votos, à frente do candidato da Frente Democrática, Slaven Kovacevic, com 30,57%, e do candidato independente Zdenko Lucic, com 22,88%.
Cvijanovic, do SNSD, venceu a eleição para o lugar da República Srpska, com 55,37% dos votos, garantindo um segundo mandato. O candidato do Partido Democrático Sérvio (SDS), Marinko Bozovic, recebeu 26,54% dos votos, enquanto Nebojsa Vukanovic obteve 18,08%.
No domingo, 4 de outubro, os eleitores votaram para eleger os membros da presidência do Estado, do parlamento estadual, o presidente da República Srpska, os parlamentos das entidades e as assembleias cantonais da Federação da Bósnia-Herzegovina. Segundo a imprensa local, os resultados garantem a continuidade da influência política do líder nacionalista sérvio da Bósnia, Milorad Dodik, chefe do SNSD e muito próximo do presidente russo, Vladimir Putin, a quem visita constantemente. Dodik está impedido de concorrer a cargos públicos devido a uma condenação. “Declaro vitória em todos os níveis. Obrigado a todos”, disse Dodik após a votação.
Na República Srpska, o SNSD liderava a corrida para a Assembleia Nacional com 38,93% dos votos, com base em quase 87% dos votos apuradas. Dodik atribuiu parte do sucesso do partido ao que descreveu como uma mudança no ambiente político nos Estados Unidos. No meio da intensa pressão dos sérvios da Bósnia, as sanções americanas contra Dodik e aliados do SNSD, impostas por corrupção e atividades separatistas, foram suspensas pelo governo Trump. “Se não tivesse havido a magnífica vitória de Trump, provavelmente estaríamos politicamente mortos, mas graças ao novo cenário, agora somos vencedores políticos”, disse Dodik. Que também agradeceu a Vladimir Putin pela declaração do seu apoio.
Além de alguns problemas menores com as novas tecnologias eleitorais, incluindo a identificação biométrica do eleitor e os leitores de cédulas, que foram introduzidos nestas eleições, o processo de votação transcorreu sem grandes problemas, ainda segundo a imprensa local.
Até ao momento, não houve qualquer declaração oficial por parte da Comissão Europeia especificamente sobre os resultados deste domingo, mas quaisquer bons resultados de Dodic são uma péssima notícia para a União Europeia. A imprensa recorda que, devido à vitória e à manutenção das forças nacionalistas tradicionais, fontes ligadas à UE indicaram que a Bósnia-Herzegovina está em risco iminente de perder até 373,9 milhões de euros. O país já falhou os prazos de reforma exigidos pelo Plano de Crescimento para os Balcãs Ocidentais e há um novo prazo crucial em dezembro que corre sérios riscos de ser ignorado devido à fragmentação política resultante das eleições.
Embora o Conselho Europeu, liderado por António Costa, tenha insistentemente recomendado a abertura das negociações de adesão, o enquadramento negocial formal continua a marcar passo. A UE transmitiu a Sarajevo que, sem a nomeação urgente de um negociador-chefe operacional e a aprovação imediata das leis do Tribunal de Estado, o processo de integração europeia continuará totalmente paralisado. Isso é exatamente o que Dodik pretende que suceda. A União não avançará com conversações nem libertará o apoio económico enquanto o governo não apresentar progressos reais nas reformas anticorrupção e judiciais.

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