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EUA: Disparo nos juros soberanos começa a contagiar custos de financiamento das empresas

EUA: Disparo nos juros soberanos começa a contagiar custos de financiamento das empresas

Os custos de financiamento para o sector privado norte-americano estão a disparar, isto numa altura em que os juros da dívida soberana da maior economia do mundo e da maioria das economias ocidentais continuam próximos de máximos de várias décadas.
Os custos para as empresas com notações de crédito mais baixas, ou seja, CCC ou abaixo, chegaram a 17% este mês, um novo máximo desde 2020 e mais um sinal das consequências na economia real do disparo nas yields soberanas nos mercados. Os títulos a 10 anos do Tesouro dos EUA têm negociado em torno dos 5,25% de juro, ou seja, em valores não vistos em 24 anos, empurrando para cima o resto do mercado.
Por enquanto, o fenómeno tem afetado apenas notações de CCC ou abaixo, com as empresas com qualidade de crédito mais elevadas ainda protegidas do disparo, por enquanto. Para estas empresas com ratings mais baixos, o prémio de risco disparou 12 pontos percentuais (pp), ou seja, renovando máximos de 2022.
Segundo a Moody’s, um valor recorde de 1,45 biliões de dólares (1,28 biliões de euros) de dívida empresarial considerada investment-grade expira entre 2026 e 2030, sublinhando o impacto desta tendência na economia real. A procura por dívida de longo prazo tem recuado assinalavelmente e em detrimento de investimentos de mais curta duração, com os investidores a privilegiarem posições menos vulneráveis e as empresas relutantes em contrair dívida de longo prazo aos atuais níveis de juros.
A juntar a isto, as empresas com taxas variáveis e aquelas que terão dívida a expirar em breve são as mais expostas e vulneráveis a possíveis tensões causadas pelo disparo nos custos de financiamento, apontam inúmeros analistas.
Por outro lado, os lucros das cotadas norte-americanas continuam a crescer, uma trajetória que arrisca ficar comprometida com esta evolução, que, no limite, pode gerar um risco de crédito para o mercado.

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