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“Jorge Jesus e Portugal formam um casamento perfeito”

“Jorge Jesus e Portugal formam um casamento perfeito”

“Portugal tem ideias claras, faz pressão alta e quer recuperar a bola, por vezes até a roçar a marcação individual, que está tão na moda. Vejo uma equipa mais organizada e os jogadores nas suas posições específicas. Antes, sentia que eram utilizados com adaptações, mas agora têm sido potenciados nas suas características. Isso ajuda muito, até porque o leque de escolha é grande”, disse o técnico, de 56 anos, em entrevista à agência Lusa.
 
Portugal, detentor do troféu e recordista de êxitos (2019 e 2025), apurou-se no domingo para os quartos de final da Liga das Nações, após ter vencido os quatro primeiros jogos do Grupo A4, na estreia de Jorge Jesus como sucessor do espanhol Roberto Martínez, que saiu depois do Mundial2026.
“Vamos ver o tempo que vai ter para trabalhar, que não é muito, mas os jogadores são de elite mundial e perceberam rapidamente o que ele quer. Tem ideias muito à imagem do grupo de jogadores que Portugal tem. É um casamento perfeito, que ajudará bastante a seleção”, notou Renato Paiva.
Primeiro treinador luso a entrar numa Liga das Nações com quatro triunfos, Jorge Jesus, de 72 anos, iniciou uma inédita experiência com seleções em pouco mais de três décadas e meia nos bancos e 24 troféus conquistados.
“É o ponto alto da carreira de um homem que subiu a pulso e acreditou nas suas ideias de forma quase radical. Acho que é uma recompensa mais do que merecida pelo seu percurso e carisma e por aquilo que os atletas que com ele trabalham dizem”, valorizou Renato Paiva, que treinou as camadas jovens do Benfica (2004-2020) e testemunhou toda a primeira passagem e o arranque da segunda de Jorge Jesus pela equipa principal das ‘águias’.
João Félix e Gonçalo Ramos são os melhores marcadores de Portugal na Liga das Nações, cada um com três golos, e coincidiram no ataque nas vitórias sobre País de Gales (1-0), Noruega (duas por 2-1) e Dinamarca (4-2), tendo sido mesmo titulares nos dois embates perante os noruegueses.
“Jogaram assim quando eu era treinador deles nos sub-17 [do Benfica]. O segredo do João Félix foi colocá-lo na verdadeira posição dele. Ele chegou ao clube e vinha como extremo por causa da sua compleição física mais frágil. Começámos a utilizá-lo como extremo, mas rapidamente vimos a sua capacidade para assistir e marcar e foi para segundo avançado”, lembrou.
Renato Paiva elogia os desempenhos de Félix e Ramos, mas admite que o ponta de lança dos italianos do AC Milan, comandados pelo compatriota Ruben Amorim, “ainda precisa de mais experiência”, após ter sido titular em três partidas nesta pausa internacional, que ficou marcada pela saída, por decisão própria, do capitão Cristiano Ronaldo do estágio da seleção.
“O Gonçalo Ramos é muito letal na área, movimenta-se bastante e ajuda outros colegas a terem espaço para marcar. A mobilidade dele ajudará muitíssimo a seleção a ganhar mais opções a nível ofensivo”, sustentou.
Entre as alternativas na frente do ataque está Paulinho, que representou Portugal pela última vez em março e alinha no México desde 2024/25, quando foi contratado ao Sporting pelo Toluca, então de Renato Paiva.
“É um dos atletas mais inteligentes que treinei na criação e ocupação de espaços. É tecnicamente refinado e um ‘monstro’ a finalizar. [A produção dele] Não me surpreendeu nada ao chegar a um campeonato tão aberto e com uma procura tão grande pelo golo. Quando ele veio, disse-lhe que ia ser assim e disse aos meus diretores que estavam a contratar o melhor marcador do campeonato que iria começar. Eles não acreditaram, mas o Paulinho foi o melhor marcador e jogador. É um Deus no México”, contou.

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