Luis Miguel Rego: “Queremos voltar este ano, certo, no Rali Vidreiro, mas também talvez Fafe”
Luis Miguel Rego e José Janela (Skoda Fabia Rs Rally2) terminaram o Rali do Algarve no top 10. O açoriano regressou ao continente após assegurar o título nos Açores, e fez um balanço positivo da sua participação no Rallye Casinos do Algarve, destacando o desafio de se adaptar a pisos totalmente novos. O objetivo agora é de alinhar no próximo Rali Vidreiro.
AutoSport: Luís, em primeiro lugar, parabéns pelo título açoriano. Vieste agora ao continente: quais eram os objetivos e como é que correu?Luis Miguel Rego: “Antes de mais, obrigado pelos parabéns. Ontem começámos bem, num ritmo rápido, embora tenhamos levado algum tempo a afinar o nosso andamento. Viemos de dois anos em que a competição nos Açores, com carros iguais, tem sido bastante inferior à do passado e, por muito que tentemos lutar contra nós próprios, não é a mesma coisa que vir aqui fora e competir com vários carros da mesma categoria. Ainda assim, ontem entramos bem, conseguimos andar depressa e encontrar um bom “setup” para as especiais do primeiro dia.Hoje de manhã, como não tínhamos nada a perder nem nenhum objetivo direto a discutir na tabela, decidimos arriscar um bocadinho na afinação do carro e na escolha de pneus. Infelizmente, não surtiu efeito — às vezes é assim, umas vezes resulta, outras não.Ao tentar perceber essa opção e ao forçar um pouco mais para não perder tanto tempo, demos um pequeno toque numa curva que nos fez fazer um pião. Perdemos bastante tempo e, além disso, arrancámos a cava da roda, o que fez entrar muito pó para dentro do habitáculo. Tornou-se impossível ver qualquer coisa, obrigando-nos a abrandar para limpar as mãos e deixar o pó dissipar-se. Pronto, os ralis são mesmo assim…”
AS: Os troços daqui são completamente diferentes daqueles a que estás habituado nos Açores. Como é que te sentes nestas classificativas? É a primeira vez que cá vens, ao Algarve?Luis Miguel Rego: “Sim, é a primeira vez. Efetivamente, as estradas são muito diferentes: muito mais aderência, muito mais rápidas, mais largas e com muita pedra em comparação com a realidade açoriana. É preciso ter algum conhecimento e acreditar na aderência que a estrada oferece, mas, acima de tudo, é fundamental acertar bem o carro para estes pisos tão característicos, pois isso faz toda a diferença. Como disse, decidimos arriscar, focando-nos mais na tração, mas não estávamos à espera que os troços ficassem tão limpos e que a pedra aparecesse tão rapidamente. São coisas das corridas.”
AutoSport: Do ponto de vista de um piloto, quando sais da tua zona de conforto para fazer troços de grande nível — por onde o Mundial já passou —, sentes mais stress ou o prazer de conduzir em locais novos e diferentes?Luis Miguel Rego: “Como não estou a discutir um campeonato, consigo fazer a prova de uma forma mais descontraída do que quem está focado em objetivos pontuais. Aproveito claramente a oportunidade para desfrutar de troços que antes só via do lado do público. São classificativas espetaculares. A quantidade de estradas que existem aqui à volta, quando nos apercebemos delas durante os reconhecimentos, é incrível, e é muito, muito divertido conduzir aqui.”
AutoSport: Rallye Casinos do Algarve terminado, conta-nos como foi a experiência…Luis Miguel Rego: “Olha, começou muito bem. Como falámos à hora de almoço, o dia de ontem foi literalmente para esquecer, um verdadeiro calvário. Começamos a manhã com uma pequena saída de estrada que danificou o carro. Fruto disso, o guarda-lamas soltou-se e o farol danificado deixou entrar muito pó tanto para o habitáculo como para o filtro de ar, que acabou por entupir por completo, impedindo o carro de desenvolver.Na assistência, tentaram recompor visualmente a viatura para podermos arrancar e limpar o filtro. Melhorou, mas logo no final do primeiro troço percebemos que estava a verter água pelo intercooler — estava amassado devido ao impacto e estrangulava o funcionamento, pelo que o carro continuava sem andar. Foi uma luta constante ao longo do dia, mas tentámos sempre nunca desistir, que é o nosso lema.Lutámos até ao fim. Ainda agora, no último troço, numa zona muito rápida quase no final e numa travagem forte para um gancho, quando coloquei o carro em apoio e acelerei, o motor não teve força para sair e foi abaixo, fazendo-nos perder algum tempo.No entanto, o balanço global, independentemente disso, é positivo. É muito bom regressar ao Campeonato Nacional de Ralis ao final de algum tempo; já tinha saudades deste ritmo e desta azáfama. É um campeonato muito competitivo, com um andamento elevadíssimo, onde basta um pormenor mal calculado para perdermos logo posições na luta, como aconteceu neste caso ao Rúben. Fico satisfeito, o saldo é positivo e prometo fazer melhor na próxima.”
AutoSport: E para o futuro, quais são os planos?Luis Miguel Rego: “Queremos fazer mais uma prova este ano. O que está nos nossos planos é, para já, o Rali Vidreiro, embora não esteja totalmente fora de hipótese outra participação pontual, como em Fafe, mas a presença garantida é no Rali Vidreiro.”
AutoSport: E quanto aos ralis nos Açores, especificamente o Rali dos Açores? Acreditas que o trabalho que tem vindo a ser feito poderá trazer a prova de volta ao CPR quando estiverem reunidas as condições?Luis Miguel Rego: “Acho que, do ponto de vista organizativo, as condições já estão todas reunidas. O último rali que o GDC organizou — a última Volta à Ilha — fez um trabalho fenomenal. Foi o Rali dos Açores com maior pontuação e uma prova irrepreensivelmente organizada, como já vem sendo hábito, contando com uma equipa bastante experiente.Agora, falta apenas aquilo que também faltou durante alguns anos: que o Governo Regional perceba a importância que este evento tem para a região e para São Miguel em especial, não só na vertente promocional, mas também no retorno económico direto que uma dimensão destas deixa no território.
Autosport: Se o rali já deu tanto aos Açores no passado, a questão atual é puramente política…Luis Miguel Rego: “Acredito que sim, que se resume a uma questão financeira e a um apoio governamental necessário para viabilizar a prova. Espero e acredito que as pessoas responsáveis, sendo informadas e inteligentes, conheçam o valor de uma iniciativa desta magnitude, especialmente na fase menos favorável que o turismo atravessa. Sendo uma prova numa altura de época baixa, é super importante para a economia empresarial açoriana, particularmente em São Miguel. Seria um cenário de sucesso mútuo: o Campeonato Nacional sairia a ganhar ao integrar uma das melhores — senão a melhor — prova de terra do campeonato, e os Açores beneficiariam enormemente com uma etapa do campeonato nacional na ilha.”
FOTO ZOOM Motorsport
The post Luis Miguel Rego: “Queremos voltar este ano, certo, no Rali Vidreiro, mas também talvez Fafe” first appeared on AutoSport.
Share this content:



Publicar comentário