Allianz Trade prevê aceleração global em 2027, mas crescimento em Portugal abranda para 1,6%
A economia global deverá acelerar de 2,6% em 2026 para 2,8% em 2027, mas Portugal seguirá trajetória inversa, com o crescimento do Produto Interno Bruto a abrandar de 2,2% para 1,6%, segundo as previsões do Global Economic Outlook de outubro da Allianz Trade.
Apesar da desaceleração, a economia portuguesa continuará a crescer acima da média da Zona Euro, que deverá acelerar de 1,0% em 2026 para 1,3% em 2027, após ter crescido 3% a nível global em 2025, defende o relatório que acrescenta que a Ásia deverá manter-se como principal motor mundial, com expansão de cerca de 4,4%.
A seguradora de crédito identifica três focos de risco para o cenário base: energia, mercados obrigacionistas e Inteligência Artificial.
Preço médio do Brent deverá recuar de 87 dólares por barril no quarto trimestre de 2026 para 76 dólares em 2027
No mercado energético, a Allianz Trade antecipa uma normalização gradual dos fluxos do Golfo. O preço médio do Brent deverá recuar de 87 dólares por barril no quarto trimestre de 2026 para 76 dólares em 2027, num cenário de Médio Oriente controlado. Caso o choque se prolongue, o Brent poderá manter-se próximo dos 100 dólares, com risco de choque estagflacionista. Para o gás na Europa, o TTF deverá permanecer em torno dos 65 euros/MWh no quarto trimestre de 2026, antes de cair para cerca de 36 euros/MWh em 2027.
A persistência da energia cara deverá manter a inflação um a dois pontos percentuais acima das metas dos bancos centrais até à segunda metade de 2027. Em Portugal, a inflação deverá acelerar de 2,3% em 2025 para 2,9% em 2026, recuando para 2,2% em 2027. Neste contexto, a Allianz Trade espera mais duas subidas de 25 pontos base do Banco Central Europeu até final de 2026, elevando a taxa de depósito para 3%, seguida de uma pausa prolongada em 2027.
O comércio mundial de bens deverá crescer 4% em volume em 2026, impulsionado pelo investimento ligado à Inteligência Artificial, abrandando para 2,9% em 2027 e 2028. Sem o contributo da IA, o desempenho seria consideravelmente mais fraco, mas a dinâmica está a acentuar divergências entre economias integradas nas cadeias de valor da IA, sobretudo na Ásia-Pacífico, e as restantes.
Para as empresas, o ambiente mantém-se exigente. O crescimento dos resultados está concentrado em IA, defesa e energia, enquanto setores cíclicos como automóvel, construção, maquinaria, têxteis e equipamentos de transporte enfrentam maior dificuldade em repercutir custos e condições de financiamento mais restritivas. Uma subida de 100 pontos base na taxa média da dívida reduziria a margem líquida das empresas não financeiras europeias de 6,6% para 6,0%.
As insolvências empresariais deverão aumentar pelo menos 4% a nível global em 2026, no quinto ano consecutivo de subida, prolongando 16 trimestres de crescimento homólogo. Atualmente estão 6% acima do mesmo período de 2024. No primeiro semestre foram registadas 247 insolvências de empresas com faturação superior a 50 milhões de euros, mais 13%, com a Europa Ocidental a concentrar quase dois terços dos casos, com maior deterioração em químicos, automóvel e maquinaria.
Em Portugal, as insolvências deverão manter-se relativamente estáveis em torno de 2.300 processos em 2026, subindo ligeiramente para cerca de 2.400 em 2027, segundo a seguradora.
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