Associação Comercial do Porto pede “coragem” para país convergir com a Europa
A CCIP – Associação Comercial do Porto pede “coragem” ao país e aos seus líderes políticos para dinamizar a economia nacional e consiga convergir de forma relevante com a média europeia. A associação lembra os custos de não agir e, visitando algumas das melhorias do país na última década, mas também alguns dos pontos de preocupação estruturais, sublinha a necessidade de mais agilidade, investimento e inovação.
O presidente da CCIP, Nuno Botelho, aproveitou o seu discurso na conferência do 10º aniversário do JE, realizada esta quarta-feira, para relembrar a evolução que o país tem feito desde 2016, que envolveu a melhoria de diversos indicadores, para deixar uma questão em tom de desafio: porque continua o país sem convergir com a Europa?
O país “mudou para melhor” e “em várias dimensões”, começou por referir, apontando ao crescimento, dívida pública, exportações ou desemprego, lembrando os números pesados e ainda pouco animadores que caracterizavam o país à altura, ainda com as marcas da crise de 2010-12 claras.
“Mas é quando fazemos este balanço que surge a pergunta mais difícil: se melhoramos tanto estes indicadores, porque continuamos sem convergir com a média europeia?”, atirou.
Segundo o estudo da CCIP motivado por esta questão, constata-se que há um conjunto de problemas na economia nacional que condicionam significativamente a capacidade do país de crescer em várias dimensões, continuou. Os mais citados foram o capital humano, falta de especialização, o funcionamento do Estado, fiscalidade, justiça ou habitação, continuou, levando a associação a considerar que há o país entrou num círculo vicioso difícil de quebrar.
“Portugal não tem um problema, tem vários que se alimentam mutuamente”, resumiu. Como tal, é preciso “coragem para escolher, para reformar, para experimentar e corrigir quando for necessário”.
“Não decidir também é decidir”, alertou, lembrando o custo de “adiar uma reforma, manter uma regra ineficiente ou deixar um investimento anos parado à espera de uma licença”.
Para quebrar esta dinâmica, e além da coragem, Nuno Botelho sublinhou a importância da produtividade. “Não estamos perante uma questão académica”, atirou, argumentando que “a produtividade é, a longo prazo, aquilo que permite às empresas pagar melhores salários” e suportar padrões de vida mais altos dos seus trabalhadores.
Outro ponto que se prende com a questão da convergência e da produtividade é o investimento, onde o país tem estado aquém do necessário. Tal reforça a importância dos fundos europeus, sendo que o país “beneficiou extraordinariamente da integração europeia e dos quadros comunitários”, mas deixa uma questão à qual tem de responder: “o verdadeiro teste é perceber o que permanece à economia depois desse euro [dos fundos europeus] desaparecer”.
Assim, é preciso “criar condições para investir melhor”, porque “um país que precisa de recuperar décadas de atraso em capital produtivo não deveria apenas ambicionar aproximar-se da média”.
“No final, o objetivo não é subir num ranking; é pagar melhores salários, gerar empregos, permitir que um jovem não tenha de sair do país”, rematou.
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