EUA: Atas da Fed mostram que banco central projeta voltar a subir taxas este ano
A Reserva Federal projeta voltar a subir juros até final do ano, mas não estima quando, de acordo com as atas da última reunião de política monetária. Depois da decisão unânime de subir taxas em setembro, a maioria dos membros do comité do banco central acredita ser necessário voltar a apertar as condições de financiamento face à inflação ainda persistente e elevada.
As minutas divulgadas esta quarta-feira mostram que o foco do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) está cada vez mais colocado na inflação, que continua acima do objetivo há mais de cinco anos, mas também na resistência da economia, impulsionada em boa parte pelo sector de inteligência artificial (IA).
Precisamente neste contexto de elevada pressão nos preços combinada com forte crescimento, a margem de manobra para voltar a subir as taxas diretoras ainda existe, argumentam. Esta é uma visão consistente com a atualização de projeções macroeconómicas, que incluem o ‘dot-plot’ com as projeções individuais para a taxa terminal e que mostrava que, dos 18 membros do FOMC que apresentaram previsões, 16 anteviam nova subida.
Contudo, a Fed não fornece qualquer indicação sobre quando esta subida deverá ocorrer. Recorde-se que há apenas mais duas reuniões de política monetária este ano, a primeira a 28 deste mês e a segunda a 9 de dezembro.
Após a subida de setembro, os juros diretores da maior economia do mundo ficaram entre 3,75% e 4% e, segundo a FedWatch Tool do CME Group, a probabilidade implícita de mercado de novo salto de 25 pontos base (pb) em outubro chegou a estar em 70%. Atualmente, e após uma leitura fraca da criação de emprego em setembro (que viu fortes revisões em baixa nos dois meses anteriores), os investidores dão apenas 17% de probabilidade a este cenário.
Também a inflação de agosto medida pelo índice de gastos pessoais de consumo (PCE), a medida preferencial do banco na avaliação da pressão nos preços, ficou abaixo do esperado com 3%, tal como o indicador subjacente.
Outro sinal de que a Fed poderá ter reavaliado a situação nas últimas semanas vem dos comentários recentes de vários membros com direito de voto no FOMC. John Williams, presidente da Fed de Nova Iorque, terá sido talvez o mais notório ao argumentar que “não é preciso pressa” nas mexidas, defendendo que “há tempo para juntar mais dados”.
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