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Moçambique quer ter carteira nacional de projetos climáticos financiáveis

Moçambique quer ter carteira nacional de projetos climáticos financiáveis

Moçambique quer criar uma carteira nacional de projetos climáticos financiáveis para aproximar promotores, Governo, bancos, fundos climáticos e investidores, para responder às necessidades de investimento face às alterações climáticas, anunciou esta quarta-feira, 7 de outubro, o ministro da Planificação e Desenvolvimento.
“Esta conferência deverá contribuir para a construção de uma carteira nacional de projetos climáticos financiáveis, capaz de aproximar promotores de projetos, Governo, bancos, fundos climáticos e investidores”, disse o ministro Salim Valá, durante a abertura da segunda Conferência Nacional de Financiamento Climático, que decorre até quinta-feira em Maputo.
Segundo o governante, os recursos públicos e a assistência tradicional ao desenvolvimento continuam a ser importantes, mas não serão suficientes para responder às necessidades de investimento associadas às alterações climáticas.
“Temos, por isso, de ampliar o leque de instrumentos e recorrer ao financiamento inovador: financiamento misto, garantias e mecanismos de partilha de riscos, seguros climáticos, obrigações sustentáveis, mercados de carbono e trocas de dívida por clima ou natureza, capazes de mobilizar o capital privado”, declarou.
Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, registando regularmente cheias, ciclones tropicais e outros fenómenos extremos durante a época chuvosa.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a última época chuvosa, de outubro a abril, provocou 311 mortos e afetou cerca de 1,07 milhões de pessoas em diferentes regiões do país.
Na intervenção de hoje, Valá sublinhou os impactos das alterações climáticas nos custos fiscais, na segurança alimentar, na perda de ativos, na interrupção de serviços e na redução da produção, defendendo investimentos em tecnologias resilientes, energia limpa e infraestruturas verdes.
Salim Valá apelou igualmente ao setor financeiro para apresentar soluções e compromissos concretos que permitam aumentar o financiamento climático em Moçambique.
“Moçambique precisa de melhorar a sua capacidade de aceder aos fundos climáticos internacionais e reconhecemos que o acesso a estes recursos exige capacidade institucional, projetos de qualidade, entidades nacionais fortes e mecanismos eficientes de coordenação”, considerou.
Segundo o ministro, os bancos multilaterais de desenvolvimento mobilizaram um recorde de 163 mil milhões de dólares (143,2 mil milhões de euros) para financiamento climático em 2025, dos quais 103 mil milhões de dólares (90,5 mil milhões de euros) foram canalizados para economias de rendimento baixo e médio.
Desse montante, cerca de 68 mil milhões de dólares (59,75 mil milhões de euros) destinaram-se à mitigação e 35 mil milhões de dólares (30,75 mil milhões de euros) à adaptação.
A embaixadora da Bélgica em Moçambique, Delphine Perremans, destacou o apoio daquele país ao desenvolvimento de mecanismos inovadores de financiamento climático, incluindo operações de troca de dívida.
Segundo a diplomata, foram mobilizados 2,4 milhões de euros para ações de adaptação e mitigação climática.
“Registam-se também progressos encorajadores no desenvolvimento de obrigações sustentáveis e na regulamentação dos mercados de carbono”, afirmou Delphine Perremans.

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