Berlim sobe previsão de crescimento para 1,3% em 2026
O Governo alemão subiu esta quinta-feira, 8 de setembro, a previsão de crescimento para 1,3% em 2026, com a economia a mostrar-se “mais resiliente do que o esperado” perante a guerra no Médio Oriente.
A projeção económica de Berlim foi, assim, elevada em 0,8 pontos percentuais em relação à da primavera.
Depois de vários anos de estagnação devido principalmente ao marasmo da indústria, este crescimento poderia dar um pouco de fôlego ao Chanceler conservador Friedrich Merz, atolado nas disputas da sua coligação e no fundo das sondagens.
“A economia alemã está numa trajetória de crescimento e revelou-se mais resiliente do que o esperado”, segundo um comunicado do ministério da Economia alemão.
Os “impulsos de crescimento” devem, este ano, vir principalmente do comércio externo, com uma “evolução excecional” no segundo trimestre, apesar do choque energético provocado pela guerra no Médio Oriente.
“Face à escassez à escala global, houve reconstituições de ‘stocks’ de bens de alta intensidade energética, bens que são produzidos na Alemanha”, precisa o comunicado.
A conjuntura também é sustentada por importantes investimentos públicos na defesa e nas infraestruturas.
No entanto, o consumo privado “deveria, num primeiro momento, permanecer moderado”, com um aumento de 0,3% em comparação com 1,3% no ano passado, devido ao forte aumento dos preços da energia, num país onde a propensão à poupança permanece alta.
A inflação na Alemanha acelerou para 3,3% em setembro, o nível mais alto em quase três anos.
As “incertezas geopolíticas”, a “baixa utilização das capacidades” industriais, o aumento dos custos dos materiais e do financiamento” também devem travar o crescimento dos investimentos privados, nota o ministério.
Para 2027, Berlim prevê um aumento do PIB de 1,1% e de 0,6% para 2028.
Essa evolução futura depende amplamente do curso da guerra no Médio Oriente e na Ucrânia, alerta o Governo.
No final de setembro, os principais institutos económicos alemães recomendaram ao Governo que não perdesse tempo a reorientar o rumo das reformas, apesar das recentes derrotas eleitorais sofridas pelos conservadores do Chanceler Merz em várias regiões.
Apesar desta recuperação económica, os economistas estão alarmados com os problemas estruturais da Alemanha, como os altos preços da energia, a escassez de mão de obra qualificada e o envelhecimento demográfico.
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