IA, drones e tecnologia espacial redefinem o mercado de defesa dos EUA e impulsionam gigantes do setor
A inteligência artificial (IA), os sistemas autónomos, os drones e a infraestrutura espacial militar estão a avançar rapidamente da fase experimental para contratos de grande escala, alterando a estrutura do mercado global de defesa e impulsionando tanto empresas tecnológicas como contratantes tradicionais. A conclusão é da Freedom24.
A transformação do mercado da defesa norte-americano surge após o anúncio, no final de setembro, da criação do Autonomous Warfare Command pelo Pentágono, para acelerar o desenvolvimento e a utilização de sistemas autónomos e robóticos.
A Freedom24 fez uma análise que explora o impacto desta mudança no mercado e as oportunidades e os desafios para os investidores, analisando empresas como Palantir, Rocket Lab, AeroVironment, Lockheed Martin e Northrop Grumman, à luz dos contratos, das encomendas e dos resultados financeiros.
A criação do Autonomous Warfare Command pelo Pentágono, anunciada no final de setembro, constitui o primeiro comando de combate norte-americano criado desde o Space Command em 2019, segundo a corretora. A nova unidade de quatro estrelas focar-se-á na integração de robótica, sistemas autónomos e IA. Em paralelo, o Departamento da Defesa lançou o Project Meridian, com o Wall Street Journal a reportar que o Pentágono planeia afetar cerca de 74 mil milhões de dólares a tecnologias militares autónomas.
A análise da corretora Freedom24 indica que este movimento consolida uma arquitetura onde sensores, satélites, redes de comunicação, software de análise e IA atuam de forma articulada com plataformas não tripuladas.
No setor espacial, a Space Force dos EUA firmou em maio um contrato de 2,29 mil milhões de dólares com a SpaceX para a criação da Space Data Network Backbone. Por sua vez, a Rocket Lab garantiu mais de 437 milhões de dólares em novos contratos no segundo trimestre, elevando a sua carteira de encomendas para 2,36 mil milhões de dólares, um crescimento anual de 137%.
Entre as empresas do segmento de defesa tecnológica, a Anduril assinou um contrato-quadro de dez anos com o Exército norte-americano, com limite máximo de 20 mil milhões de dólares. A empresa foi igualmente selecionada para liderar a criação de uma camada unificada de dados no âmbito do programa Next Generation Command and Control, em cooperação com a Palantir e com a participação operacional da Lockheed Martin.
Os resultados financeiros da Palantir refletem a expansão dos contratos governamentais, com a receita do segundo trimestre de 2026 a crescer 93%, atingindo 1,94 mil milhões de dólares. A faturação proveniente de clientes governamentais subiu 79%, para 990 milhões de dólares, enquanto o Total Contract Value alcançou 3,37 mil milhões de dólares.
A AeroVironment reportou uma receita de 480,5 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, impulsionada por um aumento de 21% na divisão de Sistemas Autónomos e com uma carteira de encomendas financiada de 1,5 mil milhões de dólares. Já a Kratos registou um aumento de receita de 30,5% no segundo trimestre, para 458,8 milhões de dólares, elevando a sua previsão de faturação para 2026 até ao intervalo entre 1,75 e 1,81 mil milhões de dólares.
Apesar do crescimento das empresas focado em software e autonomia, os grupos tradicionais de defesa mantêm posições consolidadas. A Lockheed Martin encerrou o mês de junho com uma carteira de encomendas de 230,4 mil milhões de dólares, em comparação com os 193,6 mil milhões no final de 2025.
A Northrop Grumman expandiu o seu backlog para 104,7 mil milhões de dólares, após angariar 20 mil milhões em novos contratos no segundo trimestre. Adicionalmente, o Pentágono fechou um acordo preliminar plurianual de 20,7 mil milhões de dólares com a Raytheon (RTX) para o fornecimento de mísseis AMRAAM.
A Freedom24 salienta que, para os investidores, o fator determinante residirá na velocidade com que os projetos de inovação se traduzirão em fluxos de caixa e entregas efetivas, devendo o progresso do setor ser acompanhado através de indicadores como volume de encomendas, rácio book-to-bill e capacidade de execução industrial.
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