A carregar agora

Portugal procura escala. E vai deixar sair quem já a tem?

Portugal procura escala. E vai deixar sair quem já a tem?

Há países que gastam milhões a tentar construir aquilo que Portugal teve a sorte, e o mérito, de produzir: um ícone verdadeiramente global.
Cristiano Ronaldo não é apenas um dos maiores futebolistas da história. É um ativo de notoriedade internacional de Portugal. Durante duas décadas levou o nome do país a mercados onde dificilmente qualquer campanha institucional conseguiria chegar com a mesma força, frequência e impacto.
A questão, por isso, já não é saber se deve ser titular, suplente ou convocado. Essa é uma decisão desportiva. A questão é outra: Portugal sabe gerir a saída dos seus grandes ativos? Veja-se como, esta semana, a Argentina geriu bem a saída de Messi.
Num país que quer crescer no turismo, ganhar escala, internacionalizar as suas empresas, atrair talento e investimento direto estrangeiro, a reputação conta. A notoriedade conta. A capacidade de gerar atenção conta. E Cristiano gera tudo isso numa dimensão raríssima para um país da nossa escala.
É precisamente por isso que a sua inevitável saída da Seleção não pode ser gerida como mais um episódio de balneário.
A Federação tem de preservar autoridade, regras e instituições. Nenhum jogador pode estar acima da Seleção. Mas nenhuma grande organização pode ignorar o valor dos seus maiores ativos nem permitir que divergências ou birras, de qualquer dos lados, destruam em semanas aquilo que levou décadas a construir.
As grandes marcas sabem fazer isto. Preparam sucessões. Gerem legados. Transformam antigos protagonistas em embaixadores. Mantêm-nos próximos e colocam o seu capital reputacional ao serviço da instituição. É isso que Portugal e a Federação deveriam estar a preparar.
O ‘day after Ronaldo’ não deveria significar perder Cristiano Ronaldo. Deveria significar encontrar uma nova forma de o ter ao serviço de Portugal: como embaixador internacional, associado aos grandes eventos, à promoção do país, às novas gerações e à projeção global da Marca Portugal.
Cristiano vai deixar de jogar pela Seleção. É inevitável. Perder, ao mesmo tempo, aquilo que Cristiano pode continuar a representar para Portugal seria uma escolha. E um país que quer ganhar escala no mundo não se pode dar ao luxo de desperdiçar escala quando já a tem.

Share this content:

Publicar comentário