Moçambique convida indiana Ashok Leyland a instalar fábrica de autocarros
O convite foi formulado pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante um encontro com representantes da empresa à margem da conferência SAGARMANTHAN – Diálogo sobre os Grandes Oceanos, realizada em Nova Deli, Índia, segundo um comunicado daquele ministério divulgado este sábado. 10 de outubro.
“O representante da empresa manifestou interesse em instalar uma unidade de produção de autocarros em Moçambique”, lê-se na mesma nota, que acrescenta que o ministro destacou “as oportunidades que o país oferece, sobretudo ligadas à produção de gás natural e de energia elétrica, como fatores favoráveis ao desenvolvimento de soluções de transporte mais sustentáveis”.
Segundo o Ministério dos Transportes e Logística (MTL), Matlombe defendeu que o investimento poderá contribuir para a expansão do transporte público de passageiros nos municípios e melhorar a ligação entre zonas rurais com potencial agrícola e turístico e os principais centros urbanos.
O governante incentivou igualmente a apresentação de propostas para a reconversão de autocarros movidos a diesel para gás natural, com vista a reduzir a exposição de Moçambique às oscilações dos preços internacionais dos combustíveis.
O interesse envolvendo a fabricante indiana surge numa altura em que o MTL procura parceiros privados para instalar e operar uma fábrica de montagem de autocarros elétricos para transporte público, projeto que visa reduzir importações, criar emprego qualificado, desenvolver capacidade industrial nacional e apoiar a renovação das frotas de transporte coletivo.
Num convite à manifestação de interesse divulgado em setembro pelo MTL a e consultado pela Lusa, o executivo refere que a futura unidade industrial deverá contribuir para reduzir a dependência da importação de autocarros totalmente montados, promover a transição energética e desenvolver competências industriais locais.
Ao abrigo da Resolução n.º 55/2026, de 17 de julho, o Governo pretende selecionar, até 19 de outubro, um investidor privado, consórcio ou parceiro estratégico responsável pela conceção, financiamento, instalação, equipamento, operação e desenvolvimento da futura unidade industrial, através de uma parceria público-privada. Deverá permitir criar capacidade nacional de montagem, manutenção e adaptação de veículos, formação técnica especializada, integração gradual de componentes nacionais e assistência pós-venda aos operadores públicos e privados do setor dos transportes.
O Governo estima que a instalação de uma unidade de montagem local poderá reduzir em cerca de 40% os custos de aquisição dos autocarros, além de impulsionar a industrialização, a transferência de tecnologia, a criação de emprego e a substituição de importações.
Em março, o executivo revelou igualmente que a empresa chinesa SG Automotive Group Co. estava a estudar a instalação de uma unidade de montagem de viaturas em Moçambique, incluindo autocarros elétricos, criando até 3.000 postos de trabalho.
Integrada no grupo indiano Hinduja Group, a Ashok Leyland apresenta-se como o segundo maior fabricante de veículos comerciais da Índia, o quarto maior fabricante mundial de autocarros e um dos principais produtores globais de camiões, afirmando estar presente em mais de 50 países.
Segundo informação corporativa divulgada pela própria empresa, a Ashok Leyland registava, em março de 2026, um volume de negócios de 9,68 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros) e dispõe de uma rede internacional de unidades de montagem, escritórios regionais e infraestruturas de apoio à atividade industrial e comercial.
A fabricante tem igualmente apostado em soluções de mobilidade de baixas emissões, incluindo veículos movidos a gás natural, eletricidade e hidrogénio, áreas que coincidem com a estratégia definida pelo Governo moçambicano para o desenvolvimento futuro da indústria nacional de transportes.
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