Revolut diz que entrar no crédito à habitação é mais complexo e ainda não adianta data
A ‘fintech’ Revolut não tem ainda uma data para entrar com o crédito à habitação em Portugal, mas garante que quer “oferecer todos os produtos da banca tradicional”.
Em entrevista à Lusa, o responsável pelo crescimento da Revolut para a Europa do Sul, América Latina e Estados Unidos da América, Ignacio Zunzunegui, disse que o objetivo é oferecer “todos os produtos que a banca tradicional oferece”, mas sem se tornar num banco tradicional.
“Já oferecemos o crédito pessoal, estamos a trabalhar também com cartão de crédito. Crédito à habitação é um pouco mais complexo porque precisa de adaptação local”, começou por responder o responsável, que acrescentou que esta última solução já foi apresentada em países como a Lituânia.
“O nosso rácio ‘loan-to-deposit’ está em torno de 4% a 6%. O nosso objetivo não é que suba a 60, 80, 90 ou 100%. Queremos ser um lugar onde o cliente consegue produtos a um preço competitivo”, acrescentou.
Por agora, o objetivo para Portugal passa por aumentar os depósitos dos clientes.
Após uma subida homóloga de 49% no número de clientes em Portugal, para 2,3 milhões, a Revolut conta ainda com 20 mil empresas.
Segundo Ignacio Zunzunegui, os serviços de cartões, a plataforma de câmbio monetário e os terminais de pagamento são os mais procurados.
O responsável espanhol fez um balanço positivo desde que chegou a responsável pelo crescimento da Revolut no Sul da Europa e na América Latina.
“Quando comecei, em 2022, há quase cinco anos, tínhamos menos de um milhão de clientes em todos os mercados em que operávamos no Sul da Europa, e agora temos mais 15 milhões de clientes”, apontou, com sete milhões em Espanha, seis milhões em Itália e perto de dois milhões na Grécia.
Ignacio Zunzunegui registou que a intenção do banco “é democratizar o setor financeiro” e disponibilizar um vasto leque de produtos.
“Se olharmos para o portefólio de um investidor em Portugal, 49% das pessoas está a investir em fundos monetários, que é o tipo de produto de investimento mais seguro do mercado, porque querem seguir de perto os juros do BCE e, ao mesmo tempo, ter a tranquilidade de que o risco é menor. Onde vemos muito crescimento é nos ETF [fundos que juntam vários ativos] e nas ações americanas, que são mais comerciais e mais fáceis de seguir”, defendeu.
Sobre o perfil de clientes, Ignacio Zunzunegui apontou que há diferenças entre a composição entre a Europa e a América Latina, em particular devido à pirâmide demográfica, mas que depois dos ‘early adopters’, o mercado tem apresentado alguma normalização.
“Temos uma penetração maior nos jovens, mas a média está a subir a cada ano”, uma vez que com o aumento da base de clientes, a sua composição aproxima-se da média da população.
Nesse sentido, disse que o crescimento nos jovens tem impulsionado o crescimento junto de gerações mais velhas, admitindo que a conquista de quota entre os 18 e os 24 anos tem impacto nos familiares.
“Estamos a crescer com 18 a 24 anos? Perfeito, porque o resto virá com eles. Eles são os ‘trendsetters’”, disse.
Questionado sobre o impacto da presença física, Ignacio Zunzunegui apontou que é algo que aumenta a confiança dos clientes, mas que, realisticamente, “ninguém quer ir ao banco”.
“Se eu posso fazer do telemóvel, eu não quero ir para lá. Se tiver de ir é, na realidade, uma coisa negativa, e eu não quero ir para lá porque o meu tempo é valioso”, disse.
Ainda assim, disse que a Revolut está a testar em Barcelona o lançamento de um balcão.
“Temos ainda áreas de melhoria, mas do ponto de vista universal, não penso que haja um banco tão completo como o nosso”, defendeu.
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