Orçamento da UE: ‘Frugais’ rasgam proposta irlandesa e pedem soluções “realísticas”
A discussão orçamental europeia continua a gerar fricções no seio do bloco: desta feita, os ‘frugais’ do Norte rejeitaram a mais recente proposta apresentada pela presidência rotativa irlandesa, voltando a apontar o dedo à despesa e pedindo reduções que tornem a sua evolução “realística”.
A rejeição, manifestada em carta pelos governos da Alemanha, Países Baixos, Áustria, Finlândia, Suécia e Dinamarca, surge após a apresentação da proposta preliminar pela presidência irlandesa dos traços gerais de orçamento plurianual, que propõe cortes de 8% nos gastos do bloco.
Na carta enviada pelo grupo de seis países, todos eles contribuintes líquidos no orçamento europeu, é criticada a “abordagem errónea de cortes assimétricos” que, consideram, é feita “à custa das prioridades estratégicas da UE”.
“Quaisquer traços gerais de negociações precisariam de definir um volume que possa realisticamente ser financiado por aqueles que mais suportam o esforço financeiro”, lê-se na carta dirigida ao Conselho Europeu.
Esta é mais uma demonstração públicas das tensões entre grupos de Estados-membros, com o bloco dos ‘frugais’ do Norte, todos eles contribuintes líquidos para o orçamento, a exigirem mais cortes de despesa, ao passo que os restantes países defendem um orçamento mais robusto e abrangente com uma dotação maior.
No detalhe, o grupo de ‘frugais’ pretende cortes sobretudo nos programas de agricultura e coesão, além de tornar várias verbas condicionais à adoção de reformas internas.
“Mais dinheiro com menos condições associadas não pode ser o caminho a seguir”, defendem, embora ressalvando que mantêm abertura para continuar negociações, mas só tendo como base “uma proposta mais acessível, equilibrada e, portanto, mais realística”.
Recorde-se que a presidência irlandesa havia avançado no sábado com uma proposta inicial de orçamento comunitário com uma redução estimada em 159 mil milhões de euros do lado da despesa em relação à proposta inicial de Bruxelas. Esta proposta deverá ser discutida esta semana, a partir de quinta-feira, no Conselho Europeu.
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