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História da Baja Portalegre: O sonho de José Megre que conquistou o Alentejo e o Mundo

História da Baja Portalegre: O sonho de José Megre que conquistou o Alentejo e o Mundo

Numa época em que o Todo-o-Terreno em Portugal procurava a sua identidade, a visão de José Megre, um dos mais emblemáticos nomes do desporto motorizado nacional, deu origem a uma lenda. A Baja Portalegre, que hoje celebramos, não nasceu por acaso, mas sim de um conjunto de circunstâncias e de uma paixão inabalável. Megre, o seu mentor, transportou para o Alentejo um sonho que viria a moldar o panorama do TT em Portugal e a projetá-lo internacionalmente.
A semente de uma ideia: de Aragão a Portalegre“Esta prova nasceu bem antes de 1987 devido a um alargado conjunto de circunstâncias”, recordou-nos em 2007, José Megre. A inspiração veio de Espanha, com o sucesso da Baja de Aragón, e da sua própria experiência no Dakar, que o levou a fundar o Clube Aventura.O empurrão final surgiu quando César Torres lhe confidenciou que o Dr. Miranda Calha, então Secretário de Estado dos Desportos, “queria muito ter um rali em Portalegre”. Foi em finais de 1983, inícios de 1984, que Megre se reuniu pela primeira vez com os presidentes de Câmara do distrito. “E foi aí que tudo começou”, sublinha, com um brilho nos olhos que evoca a génese de um projeto grandioso. Contudo, só em 1987, após duas edições da Transportugal, é que se sentiu preparado para dar vida à Baja.
As batalhas contra o Céu e a TerraAs primeiras edições foram marcadas por um batismo de fogo, ou melhor, de água. “Curiosamente, as primeiras edições que fizemos foram em abril e a terceira em novembro, e em todas elas tivemos uma chuvada monumental”, contava Megre, com a vivacidade de quem revive cada instante. “Na primeira, andei a desatascar concorrentes às 3 e 4 da manhã, chegando mesmo no limite da distribuição de prémios”. O “maior dilúvio” ocorreu na terceira edição, em que “chegaram ao fim pouco mais de dez carros e cerca de 15 a 20 motos”. Estes desafios iniciais, longe de desanimar, forjaram a experiência da organização, que aprendeu a contornar as intempéries e a desenhar percursos mais resilientes.
Viragens e o salto para a grandezaMegre identifica dois “grandes momentos de viragem” na história da Baja. Os primeiros três anos foram um “sucesso estrondoso”, com a duplicação anual de inscritos, culminando em 1990 e nas três edições seguintes com cerca de “700 inscritos: 250 automóveis e mais de 450 motos”.O segundo grande salto deu-se em 1997, com a chegada da SIC. “Passamos a ter outra infraestrutura e outro orçamento e melhoramos muito em qualidade e no profissionalismo da nossa organização”, afirma.Este patrocínio televisivo elevou a prova a outro patamar, tornando-a um evento incontornável, mesmo quando não integrava o Campeonato Nacional, com um número de inscritos “quase cinco vezes superior à média das restantes provas do calendário”.

O palco dos imortais e o legado pereneDesde a segunda edição, Portalegre tornou-se um íman para os “melhores motards do mundo”, como Serge Bacou, Stéphane Peterhansel e Richard Sainct, entre outros. “Por um lado, foi uma vitória pessoal ter na minha prova os melhores especialistas do Dakar”, confessa Megre. A internacionalização dos automóveis consolidou-se em 2004, com a presença de Colin McRae, vencedor logo na estreia, e em 2005, com as equipas oficiais da Mitsubishi e Volkswagen.
José Megre recorda também os “pontos baixos”, as perdas que ensombreceram a prova, mas é com a visão de futuro que conclui. A cedência ao ACP em 2006, segundo ele, “assegura um futuro bem mais certo e sólido não só para as provas como para quem nelas trabalha”. A Baja Portalegre, fruto de um sonho e de uma paixão incansável, transcendeu as pistas para se tornar um marco, um legado de memórias e emoções que continua a acelerar no coração do desporto automóvel. Este ano, realiza-se a 40º edição da clássica de todo-o-terreno.
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