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Redes elétricas tornam-se o principal travão à expansão da IA, alerta McKinsey

Redes elétricas tornam-se o principal travão à expansão da IA, alerta McKinsey

Mais de 2.500 gigawatts de projetos energéticos, armazenamento e grandes consumidores estão à espera de ligação às redes elétricas em todo o mundo, num momento em que a procura de energia para alimentar a Inteligência Artificial está a acelerar, conclui o relatório “Technology Trends Outlook 2026”, da McKinsey & Company, divulgado esta quinta-feira.
A consultora considera que a disponibilidade de energia, o acesso à rede e o tempo necessário para garantir o fornecimento elétrico estão a emergir como constrangimentos estruturais ao crescimento da IA. Em muitos mercados, os centros de dados podem ser construídos mais depressa do que as linhas de transmissão, subestações e transformadores necessários para os alimentar.
Nos Estados Unidos, a procura de eletricidade associada à infraestrutura de IA deverá aumentar de cerca de 30 GW em 2025 para mais de 90 GW em 2030, um volume comparável ao consumo elétrico atual da Califórnia. No mesmo período, os centros de dados poderão representar 14% da procura total de eletricidade do país, contra 3% em 2022, segundo o estudo.
A pressão sobre os sistemas energéticos está também a reorientar o investimento. As tecnologias de energia e sustentabilidade foram a área que mais capital atraiu em 2025, com mais de 194 mil milhões de dólares, o valor mais elevado entre as 14 tendências tecnológicas analisadas pela McKinsey.
O relatório identifica uma nova fase de desenvolvimento tecnológico, marcada pela convergência entre o digital e o físico. À medida que a IA é integrada em equipamentos, processos e sistemas do mundo real, torna-se mais dependente de chips, redes elétricas, conectividade, infraestruturas e talento qualificado.
“A Inteligência Artificial deixou de estar centrada apenas nos algoritmos. À medida que a tecnologia se expande para aplicações no mundo físico, fatores como energia, infraestrutura, semicondutores e talento tornam-se determinantes para capturar valor”, afirmou Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey & Company, citado no comunicado.
Apesar do forte investimento, a adoção empresarial da IA continua a ficar atrás da inovação. Mais de 75% das ofertas de emprego associadas às tendências diretamente ligadas à IA e aos semicondutores especializados concentram-se em funções de investigação e desenvolvimento, sugerindo que grande parte da atividade permanece em fase de experimentação.
Cinco áreas — desenvolvimento de software agêntico, infraestruturas e arquiteturas de IA, IA aplicada à descoberta científica e engenharia, robótica e tecnologias espaciais — deverão mais do que duplicar o investimento em 2026 face ao ano anterior, prevê a McKinsey.
Para Portugal, a consultora considera que o país parte de uma posição favorável, apoiada na crescente incorporação de renováveis, na capacidade de atrair investimento tecnológico e na integração nos principais corredores digitais europeus. O desafio, acrescenta, será acompanhar essas vantagens com talento, modernização das infraestruturas e capacidade de executar projetos à escala necessária.

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