Negócio com espanhóis caiu, mas Galp mantém porta aberta a “parcerias estratégicas”
A proposta de combinação dos negócios de ‘downstream’ entre a Galp e os espanhóis da Moeve caiu por terra. Apesar do cancelamento do negócio, a Galp garante que não fecha a porta a “parcerias estratégicas”, continuando a acreditar no “racional estratégico” e “méritos” da operação.
“No entanto, a disciplina de capital é inegociável e não foi possível alcançar um nível de alinhamento suficiente que permitisse estabelecer uma parceria sustentável e geradora de valor para os acionistas”, disse a gestora esta segunda-feira, 26 de outubro.
“O caso de investimento da Galp e as nossas prioridades de alocação de capital mantém-se intactas. Continuamos confiantes na capacidade dos nossos negócios ‘downstream’ gerarem valor de forma autónoma, suportados pela nossa posição de liderança em Portugal e pela transformação em curso na refinaria de Sines”, acrescentou.
“Mantemos igualmente a convicção de que parcerias estratégicas e estruturas eficientes em termos de capital poderão continuar a constituir uma via para desbloquear valor adicional no longo prazo”, concluiu Maria João Carioca.
Negócio entre Galp e espanhóis da Moeve foi cancelado
O negócio entre a Galp e os espanhóis da Moeve não vai avançar, “após negociações prolongadas”, revelou hoje a empresa portuguesa.
A operação envolvia a fusão dos postos de combustível e das refinarias das duas empresas na Península Ibéricas.
O negócio daria origem a duas empresas: uma com todos os postos de combustível das duas empresas, onde a Galp ficaria com 50%, e outra com as três refinarias de ambas, incluindo a refinaria de Sines, mas onde a Galp ficaria com 20%.
E era aqui que o negócio se tornava polémico, com a única refinaria nacional a ficar controlada por uma sociedade espanhola detida maioritariamente pela Mubadala, o fundo soberano de investimentos de Abu Dhabi, e por um fundo norte-americano.
“Após extensas negociações e um forte compromisso de todas as partes para explorar o potencial desta combinação, e apesar de todos os esforços, fomos incapazes de chegar a um acordo sobre a oportunidade de potencial significado para criar um grande ator europeu do ‘downstream’”, segundo a chairman Paula Amorim.
“Apesar do racional estratégico na base da transação permanecer atraente, os dois lados foram incapazes de atingir o alinhamento comercial necessário para criar uma parceria que crie valor”, acrescentou.
A companhia garante que o seu negócio de ‘downstream’ continua “fortemente posicionado, apoiado por uma rede de retalho líder em Portugal, e por um portfólio forte de projetos de transição energética em Sines, incluindo um dos maiores projetos de hidrogénio verde da Europa e uma unidade avançada de biocombustíveis”.
A companhia portuguesa garante que o resultado não impacta as operações existentes da Galp, nem a sua confiança no potencial do seu portefólio.
“Também não muda a convicção da Galp que a consolidação industrial reforça a competitividade, escala e capacidade de investimento. A Galp vai permanecer comprometida com a transformação das suas atividades comerciais e industriais para garantir competitividade de longo-prazo e sustentabilidade”, segundo o comunicado.
A companhia garante que vai continuar atenta a otimizar o seu portfólio, apoiado por “parcerias estratégicas ao longo da cadeia de abastecimento” para continuar a criar “oportunidades para desbloquear valor adicional através de estruturas eficientes em termos de capital”.
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