Porto Business School junta Medina, Vitorino e Tekever em formação executiva
Arranca esta quinta-feira, 29, na Porto Business School (PBS), o programa Setor da Defesa: Inovação, Indústria e Investimento, dirigido por Jorge Rodrigues, investigador do Instituto da Defesa Nacional e coordenador do Observatório de Risco Geopolítico para Empresas da escola de negócios.
A iniciativa está orientada para “as oportunidades que se abrem às organizações”, pretendendo ajudar empresas “a compreenderem as especificidades deste mercado” e “a posicionarem-se numa cadeia de valor em rápida expansão”, numa altura em que o reforço do investimento europeu e da NATO está a criar novas oportunidades para a indústria.
O programa dirige-se a gestores e executivos, líderes de PME industriais e tecnológicas, fundadores de startups e scaleups dual-use, investidores, consultores e decisores públicos ligados à inovação, indústria e contratação.
A sessão de abertura conta com a participação de Fernando Medina e do tenente-general Lemos Pires, diretor-geral de Política de Defesa Nacional, num debate dedicado à nova economia da Defesa. O encerramento fica a cargo de António Vitorino, presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo e antigo ministro da Defesa Nacional, que refletirá sobre o futuro desta indústria.
A componente empresarial é um dos eixos centrais da formação. Entre os palestrantes destaca-se Ricardo Mendes, cofundador e CEO da TEKEVER, empresa portuguesa que se afirmou como uma das principais fabricantes europeias de drones. O gestor abordará a evolução da empresa desde os drones civis até aos sistemas autónomos aplicados à Defesa e Segurança, bem como a experiência de entrada e crescimento neste mercado.
Participam como convidados profissionais de empresas como a General Dynamics, a Thales, a TMG Automotive, Riopele, a Beyond Composites, a Beyond Vision e a Jacinto Defence, e de entidades como a AED Cluster Portugal, a AICEP, a idD Portugal Defense, a NSPA (Agência de Apoio e Aquisições da NATO) e o NATO Innovation Fund.
“A Defesa deixou de ser um tema reservado aos Estados e às Forças Armadas. Tornou-se um dos mercados com maior dinamismo na Europa, e há muitas empresas portuguesas, da metalomecânica ao software, que já dispõem das competências de que este setor precisa sem o saberem”, afirma Jorge Rodrigues.
“O que falta, muitas vezes, é conhecer as regras do jogo: como funcionam os concursos, o licenciamento, a credenciação e o financiamento europeu e NATO. É esse caminho que queremos encurtar, com quem já o percorreu.”
A NOS Security Technology é parceira do Defense Lab, um desafio desenvolvido em equipa pelos participantes ao longo das quatro fases.
O resultado inclui um roadmap de posicionamento na cadeia de valor (entrada direta, subcontratação a um grande fornecedor ou participação em consórcio), um plano de financiamento, um mapa de parceiros estratégicos e a simulação de uma candidatura a um instrumento europeu ou NATO. Os trabalhos são apresentados na sessão de encerramento, na presença da NOS.
O mercado
O programa surge num contexto de reforço do investimento, na sequência do compromisso assumido pelos aliados da NATO de elevar para 5% do PIB, até 2035, a despesa em Defesa e segurança. Já a despesa em Defesa dos 27 Estados-Membros da União Europeia deverá atingir cerca de 454 mil milhões de euros em 2026, segundo a Agência Europeia de Defesa, e Portugal tem acesso a 5,8 mil milhões de euros através do instrumento europeu SAFE.
O ecossistema empresarial português junta cerca de 440 empresas e gera 3,47 mil milhões de euros em vendas para fins de defesa, de acordo com dados da idD Portugal Defence.
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