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António José Seguro: “Não gostei do que vi em Lisboa”

António José Seguro: “Não gostei do que vi em Lisboa”

António José Seguro quebrou o silêncio e fez uma declaração sobre os acontecimentos da madrugada do passado domingo, no Porto e em Lisboa. “O direito à liberdade e à manifestação são executados simultaneamente” . Lei e liberdade não são incompatíveis. E para nos respeitarmos a todos, temos de cumprir a lei, e isso aplica-se às autoridades e a todos os cidadãos, e isso inclui o presidente da República”, começou por indicar Seguro.
“A cultura portuguesa é de diálogo, não é uma cultura de confronto ou de violência. Não gostei do que vi nas imagens recentes do passado sábado, designadamente em Lisboa, e desde as 7h da manhã desse domingo tenho estado sempre atento, preocupado e a exigir as informações de quem devo. Esse é o papel do presidente da república. Ainda ontem (segunda-feira, 26 de outubro) estive reunido com o primeiro-ministro e este foi um dos temas falados”.
“Não gostei do que vi. Não são imagens normais para uma democracia consolidada. Sempre defendi o diáolgo, fui eleito sob bandeira do diálogo e estarei sempre na defesa do diálogo. Precisamos de colocar o diálogo como solução para os problemas e nunca a violência”, afirmou, acrescentando que “fiz um apelo na segunda-feira para que os partidos e o Governo se entendessem, para que os problemas para a habitação fossem resolvidos e garantidos pelas políticas públicas. Os partidos políticos têm um dever de responsabilidade em encontrar soluções concretas para haver acesso à habitação, em particular para os jovens, que são uma geração bloqueada, e digo-o desde que tomei posse. É inaceitável que a média de idade que os jovens saem de casa seja os 30 anos”.
“Ter casa não é apenas ter um teto onde se possa dormir, é um projeto de vida, de autonomia, e temos jovens que não conseguem ter essa autonomia porque os preços das casas, quer da compra quer do arrendamento, estão bastante elevados. Essas são as minhas preocupações. E não fiquei quieto. Recentemente convidei os partidos para uma reunião para a próxima quinta-feira, convoquei o Conselho de Estado, e na amanhã mesmo (28 de outubro), irei reunir com especialistas em habitação”.
Em resposta aos jornalistas, Seguro reforçou que não gostou do que viu. “Quanto à atuação das autoridades, os inquéritos que estão a decorrer vão decidir se houve desvios ao estado de direito ou não. O Presidente da República deve exigir todas as explicações, mas tem de aguardar pelos resultados, ninguém julga antes de saber os factos”.
“Se há propostas para resolver os problemas [da habitação] porque não há diálogo? fiz esse apelo na semana passada. Porque razão os partidos não encontram no Parlamento as soluções adequadas para resolver os problemas. Temos três problemas para resolver: dinamizar o mercado de arrendamento, o que pode ser feito já. Temos duas centenas de milhares de casas que podem ser já colocadas no mercado de arrendamento. Temos de proteger os mais vulneráveis. porque não podemos deixar de olhar para a subida do preço dos alimentos e do custo de vida.E depois há uma política de longo prazo que é a construção de casas”.
“Pergunto: custa alguma coisa ao Governo e ao Parlamento sentarem-se e encontrarem soluções para este problema? E não só na habitação, na saúde também, tenho reunido com especialistas da saúde em abril para exigir um pacto sobre a saúde. Temos de nos concentrar nas soluções Serei sempre um presidente que defenderá a constituição e o estado democrático mas exigindo que quem tem responsabilidades encontre soluções para os problemas dos portugueses”.
Ainda em resposta aos jornalistas indicou sobre a discussão do essencial em relação aos problemas que existem na sociedade portuguesa.  “A coesão social não é um slogan. É preciso que as pessoas tenham salários condignos, acesso à saúde e habitação. Questão de igual relevo é a garantia que vivemos num estado democrático. Temos uma cultura de diálogo. O que impede os manifestantes e o governo de dialogarem. Temos uma urgência de resolver a vida concreta dos portugueses, o Presidente da República não tem de deitar achas para a fogueira. Serei um garante do Estado de Direito democrático”.
(em atualização)

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