Sindicatos desconvocam greves parciais de quarta e sexta-feira no Metropolitano de Lisboa
As greves parciais de quarta e sexta-feira no Metropolitano de Lisboa vão ser desconvocadas, após os serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral, pois as organizações sindicais consideram que a decisão coloca em causa a segurança de utentes e trabalhadores.
“Enviámos uma comunicação, portanto, aos trabalhadores e ao próprio Conselho Económico e Social, onde informamos que as greves de 28 e dia 30 serão desconvocadas”, afirmou à Lusa a dirigente sindical Sara Gligó.
Segundo a dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e do STRUP – Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, “o Tribunal Arbitral decidiu pela fixação de serviços mínimos, pela circulação de composições, e nos moldes em que, efetivamente, a empresa solicitou”.
“Entendemos que esta decisão contraria a jurisprudência existente, coloca em causa a segurança dos utentes e dos próprios trabalhadores a operar nas condições que foram decretadas, inclusive, este acórdão permite a substituição de trabalhadores em greve por trabalhadores que não estão habilitados para estas funções”, apontou.
Nesse sentido, Sara Gligó adiantou que as organizações sindicais vão “agora reunir os trabalhadores em plenário” para determinar as próximas ações.
“Desconvocámos obviamente esta greve, mas não desconvocámos a luta e, portanto, iremos com os trabalhadores encontrar novas formas de luta”, salientou.
O Tribunal Arbitral tinha definido serviços mínimos para as greves parciais de quarta e sexta-feira, entre as 5h00 e as 10h00, com abertura de 26 estações, segundo o Metropolitano de Lisboa.
“Os serviços mínimos assegurarão a abertura das estações terminais, de correspondência entre linhas ou de interface com outros operadores e as que servem hospitais, universidades e tribunais, num total de 26 estações (10 na linha Azul, seis na Amarela, cinco na Verde e cinco na Vermelha), com início do período de trabalho às 6h30 para preparação dos comboios”, informou a empresa.
Das 56 estações da rede, as 26 estações estariam abertas e em funcionamento “a partir das 7h00”, nas linhas Azul, Amarela, Verde e Vermelha, enquanto as restantes permaneceriam “encerradas ao público até às 10h00”, prevendo-se que a circulação fosse “significativamente reduzida, com tempos de espera superiores ao habitual”.
Para a dirigente da Fectrans e do STRUP, “o tribunal aceitou tudo o que o Metropolitano de Lisboa pediu”, o que “põe em causa o direito à greve dos trabalhadores” e “coloca em causa a segurança do serviço público de transporte”.
“A questão nem sequer se coloca com o número de estações abertas, a questão central coloca-se que o Metropolitano, além de dizer no próprio pedido de serviços mínimos que efetivamente hoje a segurança e a circulação é assegurada por sistemas automáticos e que em nada dependem da circulação com trabalhadores, não é verdade”, contrapôs.
Com os serviços mínimos, explicou, um trabalhador “tem que garantir, mesmo que seja das cinco às 10 da manhã, operacionalidade de quatro linhas, o que não é humanamente possível e coloca, obviamente, em causa a segurança, porque quem monitoriza uma linha não consegue monitorizar as outras todas ao mesmo tempo”.
“Portanto, se tiver um problema numa linha, deixa de monitorizar as outras, e isto para nós é efetivamente colocar em causa a segurança dos passageiros, dos próprios trabalhadores, que depois também estão, quer no posto de comando central, quer no âmbito da operação, a garantir a abertura das estações e da circulação de comboios”, sublinhou.
A greve, de acordo com Sara Gligó, dirigente da Fectrans e do STRUP, resulta de problemas persistentes no Posto de Comando Central e nos Postos de Tração, nomeadamente a falta de trabalhadores, recurso excessivo a trabalho suplementar, existência de turnos prolongados, atrasos na formação de encarregados e inspetores e esvaziamento das funções das chefias.
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