Airbus regista queda nas entregas e nas receitas, com lucros operacionais a recuar 9%
A Airbus registou uma quebra de 9% no resultado operacional ajustado no terceiro trimestre, para 1,77 mil milhões de euros, num período marcado pelo abrandamento das entregas de aviões e por dificuldades na produção. As receitas recuaram 2%, para 17,47 mil milhões de euros, face ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido teve uma evolução diferente: aumentou 20%, para 1,344 mil milhões de euros. Nos primeiros nove meses do ano, subiu 36%, para 3,587 mil milhões de euros, enquanto as receitas cresceram 7%, para 50,645 mil milhões.
O problema está sobretudo na capacidade de produzir e entregar aviões ao ritmo previsto. Segundo a Reuters e o Financial Times, os atrasos no fornecimento de motores, nomeadamente para os aviões da família A320, continuam a limitar a produção. A estes constrangimentos juntam-se problemas de qualidade em alguns componentes e custos relacionados com a integração de atividades da Spirit AeroSystems, fornecedora de estruturas aeronáuticas.
Até ao final de setembro, a Airbus tinha entregue 547 aviões comerciais, dos quais 196 entre julho e setembro. Para cumprir o objetivo anual de 870 entregas, terá de colocar nas mãos dos clientes mais 323 aeronaves até ao final de dezembro. É um esforço considerável para os últimos três meses do ano, numa altura em que a cadeia de abastecimento continua sob pressão.
A empresa mantém as previsões para 2026: espera alcançar cerca de 7,5 mil milhões de euros de resultado operacional ajustado e gerar 4,5 mil milhões de euros de caixa antes do financiamento a clientes. O cumprimento destas metas dependerá, em larga medida, da capacidade de acelerar as entregas no último trimestre.
Apesar das dificuldades, a carteira de encomendas continua a crescer. No final de setembro, a Airbus tinha 9.310 aviões comerciais por entregar. Nos primeiros nove meses do ano, recebeu 1.105 encomendas líquidas, mais do dobro das 514 registadas no mesmo período de 2025.
A divisão de aviões comerciais gerou receitas de 36,665 mil milhões de euros nos primeiros nove meses, mais 8% do que um ano antes. O resultado operacional ajustado aumentou 3%, para 3,362 mil milhões. Na área da defesa e do espaço, o resultado cresceu 60%, para 672 milhões de euros. Já a divisão de helicópteros registou uma descida de 10%, para 445 milhões.
A situação financeira também merece atenção. O dinheiro gerado pela atividade, antes do financiamento a clientes, foi negativo em 1,268 mil milhões de euros nos primeiros nove meses, contra um saldo negativo de 914 milhões no mesmo período de 2025. No final de setembro, a Airbus tinha uma posição de caixa líquida de 7,042 mil milhões de euros, abaixo dos 12,171 mil milhões registados no final do ano passado.
Os resultados revelam um contraste: a Airbus tem uma carteira de encomendas robusta e lucros acumulados superiores aos do ano passado, mas continua a enfrentar dificuldades para transformar as encomendas em aviões entregues. O último trimestre será decisivo para perceber se consegue cumprir os objetivos definidos para 2026.
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