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Luís Freire pede maior aposta no talento nacional: “Quem faz as regras…”

Luís Freire pede maior aposta no talento nacional: “Quem faz as regras…”

“Essa sensibilização está a ser feita. Quem faz as regras da I Liga são os clubes, mas a FPF tem a função de trabalhar junto dos mesmos e tentar fazer com que as coisas melhorem. Eu penso que tem havido mais sensibilidade. Temos vários clubes a olhar para o jovem jogador português e que, se calhar, não estavam tão sensibilizados na época passada. Há que continuar este trabalho e aposta, porque os futebolistas têm provado valor”, contextualizou o técnico, de 40 anos, em entrevista à agência Lusa.
 
Nas primeiras nove jornadas da edição 2026/27 da I Liga, os 18 emblemas já utilizaram 115 portugueses e 331 estrangeiros, num total de 446 atletas.
Incindindo esses dados em quem nasceu a partir de 2004 e é elegível para representar Portugal na fase final do Europeu de sub-21 em 2027, os clubes primodivisionários lançaram até agora 41 jogadores no campeonato, destacando-se o Moreirense, com cinco, seguido de Sporting, Gil Vicente e Estoril Praia, cada um com quatro, enquanto o Marítimo é o único a ‘zeros’.
“O aumento dos empréstimos da época passada para esta mostra que os clubes estão mais sensíveis a este tema, porque, podendo emprestar mais jogadores, há mais oportunidades para fazer esse tipo de negócio. Foi uma regra que mudámos. Não quer dizer que agora está tudo bem, mas há uma melhoria”, avaliou Luís Freire, convicto de que um internacional sub-20 ou sub-21 “tem qualidade para competir num nível alto” dentro ou fora do país.
Em 2025/26, temporada que coincidiu com a chegada do sucessor de Rui Jorge ao comando técnico do conjunto de ‘esperanças’, as 34 jornadas da I Liga envolveram 389 estrangeiros e 190 portugueses, dos quais 62 sub-21.
“Há mérito enorme dos clubes na formação de talentos. As seleções são boas porque os clubes trabalham bem e apostam muito na formação. Falo dos quatro, cinco ou seis maiores. Não quer dizer que os outros clubes não apostem, mas estes têm tido um impacto grande nas seleções”, observou.
Encarando a I Liga como um “espaço natural do jovem jogador português”. Luís Freire lembra os exemplos dos que “não tiveram tantas oportunidades nas equipas principais”, mas “provaram o seu valor em campeonatos mais competitivos”, tendo, depois, “voltado mais fortes aos clubes de origem ou continuado a evoluir em outros emblemas e rendido encaixes financeiros”.
“É preciso acreditar nos jovens e dar esse espaço. Eles estão a dar boas respostas. Quanto maior for o leque de escolhas nas seleções inferiores e a aposta, mais facilmente os jogadores vão chegar aos sub-21 e poderão fazê-lo em quantidade. Penso que, no geral, o futebol português está sensibilizado. Temos atletas que foram campeões do mundo de sub-17 há um ano e temos de estar atentos ao trajeto deles e favorecer a sua evolução. A comunicação com os clubes tem sido bastante positiva”, disse.
Além de promover essa sensibilização, Luís Freire, que está a cumprir a primeira experiência como selecionador, pretende “formar uma equipa forte e tentar ao máximo dar alegrias aos portugueses” no Europeu de sub-21.
“O nível para sermos campeões da Europa é sempre muito alto. Os nossos atletas são quase todos de equipas grandes e a ideia de jogo e os métodos de treino têm de ser de equipa grande. Passamos muito tempo a refletir e a tentar melhorar o processo para termos tudo afinado e pô-los a render o mais rápido possível”, explicou, sobre o desafio de “construir um grupo em pouco tempo, passar as ideias e competir para ganhar em nome do país”.
Outra missão é “fomentar o gosto de atuar por Portugal”, cenário que levou, entre outros, Mateus Mané, Fábio Baldé ou Noah Saviolo, todos com dupla nacionalidade, a debutarem neste ciclo pelos sub-21 – o extremo dos turcos do Trabzonspor nem sequer tinha competido pelas seleções jovens lusas.
“Na altura, foi um passo inesperado [na carreira], até porque não o tinha planeado, mas quando recebemos uma chamada para representar Portugal com esta geração de jogadores, estas condições e a vontade que o presidente e a direção mostraram em fazer o possível para jogarmos para ganhar, é sempre muito motivante abraçar este projeto. Depois de ter percorrido os patamares todos do futebol português e chegado às provas europeias, apareceu esta oportunidade e é com muito orgulho e honra aceitei o desafio de levar estes jovens ao Campeonato da Europa”, frisou.
Com mais de uma década a orientar clubes, Luís Freire afirmou ter uma “relação próxima e de confiança” com Jorge Jesus, mas descartou revelar as ideias trocadas com o selecionador ‘AA’ sobre os internacionais lusos.

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