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Ministro das Finanças quer levar legislatura até 2029 e alerta para riscos da dívida francesa

Ministro das Finanças quer levar legislatura até 2029 e alerta para riscos da dívida francesa

O ministro das Finanças defende que a legislatura deve chegar ao fim em outubro de 2029, com o Governo a manter o equilíbrio orçamental e a redução da dívida pública como prioridades, numa altura em que antecipa riscos associados à situação financeira de França, aos mercados de dívida e à inteligência artificial (IA), em entrevista ao Expresso.
Joaquim Miranda Sarmento considera que Portugal deve continuar a reduzir a dívida pública e a preparar-se para eventuais choques externos, num contexto de “enorme incerteza e volatilidade” nos próximos dois a três anos. O governante aponta ainda para os riscos geopolíticos na Ásia e na Europa de Leste.
O ministro considera que este é um governo reformista e aponta a privatização da TAP,  “como um momento de grande sucesso do Governo”.
Sobre França, que enfrenta um défice superior a 5% e dificuldades em corrigir as contas públicas, o ministro considera a situação “muito complexa”, mas afasta, para já, uma recessão mundial. Defende, contudo, que os países com desequilíbrios orçamentais terão de tomar medidas de correção. Mas “se a União Europeia não deixou cair Portugal ou Grécia, também não estou a ver que seja sequer equacionável deixar cair a França”, disse.
“Quando olhamos para os próximos dois ou três anos, vemos uma enorme incerteza e volatilidade. Preocupa-me qual vai ser o impacto da inteligência artificial (IA), como vão os mercados de dívida reagir ao que se passa nos EUA, em França e noutros países europeus e, também, que outros choques geopolíticos podem acontecer, nomeadamente na Ásia ou mesmo na Europa de Leste”, refere.
Miranda Sarmento sublinha que a Europa dispõe hoje de instrumentos que não existiam em 2011, nomeadamente o Mecanismo Europeu de Estabilidade e uma capacidade de intervenção do Banco Central Europeu diferente. Considera também que Portugal está numa posição muito distinta da que enfrentava durante a crise da dívida soberana e afasta a possibilidade de a União Europeia deixar cair França.
“Apesar de todos os riscos, não antecipo neste momento uma recessão a nível mundial”, diz na entrevista ao Expresso.
Na mesma entrevista, o ministro prefere a expressão “contas justas” a “contas certas” e defende que os saldos orçamentais positivos são essenciais para reduzir a dívida e preparar o país para choques externos. Segundo afirma, Portugal está a reduzir a dívida pública quatro pontos percentuais abaixo da trajetória acordada com a Comissão Europeia.
Quanto ao legado que pretende deixar, aponta para uma economia mais produtiva e competitiva, uma dívida pública mais baixa, uma reputação internacional reforçada e maior controlo da despesa corrente primária.
Na entrevista, o governante elogia a posição do PS na aprovação do Orçamento do Estado, mas defende que o documento não deve ser desvirtuado durante a especialidade. Critica ainda o bloqueio à reforma da legislação laboral, atribuindo-o à convergência entre o PS e o Chega contra as alterações propostas pelo Governo.
Miranda Sarmento considera possível e desejável que a legislatura chegue ao fim e afirma acreditar que os portugueses querem que o Executivo governe até outubro de 2029, altura em que poderão avaliar o seu desempenho.
Por fim desmistifica o confronto com Mário Centeno, o socialista que liderou o Ministério das Finanças no Governo de António Costa, dizendo que “eu não tenho, do ponto de vista pessoal, nenhum tema com Mário Centeno”.

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