Black Friday deverá criar quase 4.000 empregos em Portugal em novembro
A aproximação da Black Friday, da Cyber Monday e do Natal deverá traduzir-se num reforço significativo do emprego em Portugal. As previsões da Randstad apontam para a criação de 3.943 postos de trabalho em novembro, face ao mês anterior, sobretudo nos setores do comércio, dos transportes e da armazenagem.
A estimativa, elaborada a partir dos dados de emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do desemprego registado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), representa um crescimento de 0,41% no volume de emprego conjunto destes dois setores, que deverá ultrapassar os 958,7 mil profissionais.
O reforço da atividade acompanha a preparação das empresas para um dos períodos de maior intensidade comercial do ano, marcado pelo aumento das compras presenciais e online e pela necessidade de acelerar as operações de armazenamento, distribuição e entrega de encomendas.
O comércio deverá concentrar a maior fatia das novas contratações, com 3.433 postos de trabalho adicionais em novembro, um crescimento de 0,47% face a outubro. O setor deverá atingir cerca de 740,4 mil profissionais. Em paralelo, o desemprego registado nesta atividade poderá recuar 1,1%, correspondendo a menos 300 a 400 pessoas inscritas nos centros de emprego.
Nos transportes e armazenagem, a Randstad antecipa a criação de mais 511 empregos, o equivalente a uma subida de 0,23%, elevando o número de trabalhadores para aproximadamente 218,3 mil.
Neste setor, o comportamento do desemprego é diferente. No início de novembro, é habitual verificar-se uma estabilização ou mesmo um ligeiro aumento das inscrições, que deverão situar-se entre 5.300 e 5.500 pessoas. A evolução está relacionada com o fim de contratos sazonais de verão e a transição para o recrutamento de trabalhadores destinados a responder ao aumento da atividade na Black Friday e no Natal.
«A campanha da Black Friday e o período pré-natalício continuam a ser um catalisador fundamental para a contratação temporária em Portugal. Assistimos a um ecossistema equilibrado e omnicanal: se, por um lado, as lojas físicas reforçam as suas equipas de apoio e atendimento ao cliente, por outro, as plataformas logísticas e de distribuição aumentam a sua capacidade para garantir entregas ágeis e sem ruturas», afirma Tiago Rocha, Staffing & Inhouse Director da Operational Talent Solutions da Randstad Portugal.
Operadores de armazém e assistentes de loja entre os mais procurados
As oportunidades de emprego deverão distribuir-se por diferentes funções, tanto na área da logística como no comércio a retalho. Nas operações de armazenamento e distribuição, a procura deverá incidir sobretudo em operadores de armazém, preparadores de encomendas, operadores de empilhador e motoristas de distribuição ligeira, incluindo serviços de entrega de última milha.
No comércio, as empresas deverão reforçar as equipas com assistentes de loja, repositores de mercadorias, operadores de caixa e profissionais de apoio ao cliente, tanto no atendimento presencial como nos canais remotos.
A dimensão do desafio logístico é significativa. Segundo os dados apresentados pela Randstad, mais de 86% dos portugueses planeiam fazer compras durante a Black Friday, colocando uma pressão acrescida sobre as cadeias de abastecimento e distribuição.
«Sabemos que mais de 86% dos portugueses planeiam comprar na Black Friday. Perante este volume colossal, as cadeias de abastecimento são levadas ao limite. A tecnologia, por muito avançada que seja, não substitui o desgaste físico e mental de quem tem de embalar e distribuir milhões de encomendas num contrarrelógio implacável. Hoje, a urgência sazonal já não se resolve “atirando” mais mão de obra para o problema de forma cega. Exige-se capacidade de adaptação, sim, mas sobretudo uma incrível resiliência humana», acrescenta Tiago Rocha.
A Randstad destaca ainda o peso crescente da atividade logística na economia nacional. O setor dos transportes e armazenagem representa 4,6% do emprego nacional e empregava 246,5 mil profissionais, segundo os dados referidos pela empresa. O número de empresas do setor triplicou na última década, atingindo 64,5 mil em 2024.
Apesar de uma parte significativa dos recrutamentos estar associada às necessidades temporárias de novembro e dezembro, a empresa de recursos humanos considera que esta fase pode também funcionar como uma porta de entrada para contratos permanentes no início do ano seguinte.
A possibilidade de retenção dos trabalhadores dependerá, contudo, da capacidade das empresas para melhorar as condições de trabalho e a gestão das equipas, num período em que a rapidez das entregas e o aumento das encomendas colocam uma pressão acrescida sobre os profissionais.
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