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Governo promete à Lufthansa que não se vai “intrometer” na gestão da TAP

Governo promete à Lufthansa que não se vai “intrometer” na gestão da TAP

O Governo prometeu hoje que não se vai “intrometer” na gestão da TAP quando a Lufthansa assumir a comissão executiva da companhia aérea.
“Vamos continuar a interagir. O Governo continua com a sua porta aberta para resolver instrumentos e pressupostos que dão à equipa de gestão o ambiente e atmosfera para maximizar o negócio, não é intrometer-se”, disse o primeiro-ministro esta terça-feira, 3 de outubro.
Mas este cenário só terá lugar em 2028 quando os 44,9% da TAP passarem para as mãos da Lufthansa após passar pelo crivo da Direção-Geral da Concorrência europeia. A posição pode ir até 49,9% dependendo da adesão dos trabalhadores aos 5% reservados para eles, num processo que será lançado em 2027.
A Lufthansa vai ficar responsável pela Comissão Executiva da TAP que gere a empresa no seu dia-a-dia, mas o Governo vai manter a maioria no conselho de administração, apesar de passar a contar com administradores dos alemães.
As declarações de Luís Montenegro tiveram lugar hoje durante a cerimónia de assinatura do contrato de venda na TAP num hangar no aeroporto de Lisboa.
A Lufthansa e o Governo garantiram hoje que a TAP vai manter a identidade portuguesa.
“A TAP vai permanecer uma companhia portuguesa: marca, sede, gestão local, identidade e pessoas. Queremos preservar essa força”, disse hoje o presidente-executivo da companhia aérea alemã.
Carsten Spohr deu o exemplo das companhias do grupo que mantiveram as suas “identidades nacionais”, como a Brussels, Swiss, ITA ou Austrian.
“Cresceram connosco como parceiros” numa lógica de “diversidade que cria valor”, com a “força individual” de cada marca.
Por sua vez, o primeiro-ministro também deu garantias que a identidade portuguesa da empresa vai manter-se.
“O país dá hoje um passo extremamente importante para garantir que vamos ter uma companhia aérea portuguesa, com marca e identidade portuguesas, uma companhia aérea com uma integração no maior grupo de aviação europeu, o quarto maior global ao nível de receita, e o sexto maior grupo em termos de frota”, segundo Luís Montenegro.
Para já, está prevista a venda de 44,9% à Lufthansa. O processo de venda de 5% aos trabalhadores só terá lugar em 2027; o que não for vendido neste processo, será comprado pela Lufthansa.
O Estado vai receber em dinheiro 1.201 milhões de euros decorrentes da venda de 49,9% da TAP. Depois, a venda dos restantes 50,1% deverá render mais 863 milhões de euros também em ‘cash’.
Mas a segunda fase da privatização pressupõe a troca de ações, com o Estado português a receber ações da Lufthansa. Nas contas do Governo, isto vai colocar o Estado como o segundo maior acionista da companhia aérea alemã, com 5% do capital, apenas atrás da Fundação Kühne, que conta com 20%.
Ora, sendo acionista do Grupo Lufthansa, o Estado prevê receber um total de 1.400 milhões de euros em ações, mais dividendos acumulados do grupo alemão até 2040. Feitas as contas, o Estado português pode encaixar 19,8 milhões de euros por ano em dividendos, ao valor atual da remuneração acionista, de 0,33 euros. São quase 200 milhões de euros no espaço de 10 anos.
Nas contas do Governo, é assumido um ‘dividend yield’ de 3,9% para uma ação cotada a 8,8 euros, o que dá um dividendo anual de 0,3432 euros por ação. Contas feitas, são 20,6 milhões de euros em dividendos pela fatia de 5%.
O Governo assume na sua apresentação que a sua estimativa está “dependente da performance e cotação da empresa”. Tendo em conta o preço-alvo da ação assumido pelo Governo de 8,8 euros, isto significa que a posição de 5% vai valer 528 milhões de euros.
A Lufthansa garantiu hoje que está agora mais bem preparada para o mercado brasileiro, com a compra da TAP.
“Foi extraordinário”, disse hoje o presidente-executivo da companhia alemã sobre a vitória na privatização da TAP.
“É um bom sinal para o nosso grupo. As redes são complementares, existem poucas sobreposições”, acrescentou Carsten Spohr, sugerindo assim que o processo terá de enfrentar poucos remédios quando for avaliado pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.
“Especialmente na América do Sul e no Brasil”, sublinhou numa chamada com analistas, apontando que o grupo Lufthansa ficava abaixo do poder do seus concorrentes.
“Temos 9%, ficamos em sexto lugar, com os 11% da TAP ficamos com 20%”, o que vai permitir enfrentar os “concorrentes mais importantes” nas rotas entre a Europa e a América do Sul.
“A aviação é mais importante do que nunca para a prosperidade económica. A aviação vai permanecer como uma das indústrias que mais vai crescer no futuro”, destacou o gestor.

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