Novobanco com lucros nos primeiros nove meses a caírem 4,1% para 585,6 milhões
O Novobanco fechou os primeiros nove meses de 2026 com um lucro líquido de 585,6 milhões de euros, o que representa uma quebra de 4,1% face aos 610,5 milhões registados no período homólogo de 2025, penalizado pelos custos extraordinários com a venda ao grupo francês BPCE, concluída no final de abril.
No terceiro trimestre isolado, o resultado foi de 218,4 milhões de euros, acima dos 166,6 milhões do segundo trimestre e dos 200,7 milhões do primeiro.
A rentabilidade mantém-se em níveis elevados, ainda que em desaceleração, com o RoTE a fixar-se em 17,7% nos nove meses, contra 21,6% há um ano. O tangible book value ascendeu a 4.784 milhões de euros, mais 13,5% em termos homólogos.
Em comunicado, o banco liderado por Mark Bourke explica que a redução anual do lucro nos nove meses reflete o aumento dos custos operativos decorrente dos custos extraordinários associados ao processo de venda ao grupo francês e uma taxa efetiva de imposto superior, de 17,8%.
“Os resultados alcançados nos primeiros nove meses de 2026 refletem a solidez do nosso modelo de negócio, a confiança dos clientes e o empenho das nossas equipas. A integração no Grupo BPCE está a decorrer de forma consistente e em total alinhamento com a nossa visão de longo prazo”, afirmou Mark Bourke, CEO do Novobanco. O banqueiro acrescentou ainda que o conhecimento acumulado pelo Groupe BPCE “abre novas oportunidades para alargar progressivamente a gama de produtos e soluções disponibilizadas aos nossos clientes, mantendo a proximidade e o conhecimento do mercado português que caracterizam o Novobanco”.
Na conta de resultados, o produto bancário comercial cresceu 2,5% para 1.122,2 milhões de euros, sustentado pela margem financeira. A margem financeira totalizou 856,0 milhões de euros, mais 3,3% que nos primeiros nove meses de 2025, suportada pelo aumento de 8,3% do valor médio dos empréstimos a clientes e por uma estratégia proativa de cobertura. A margem financeira em percentagem do ativo, a NIM, situou-se em 2,49% nos nove meses, contra 2,67% há um ano, com 2,51% no terceiro trimestre isolado.
As comissões, nos serviços a clientes, mantiveram-se praticamente estáveis em 266,2 milhões de euros. As comissões de gestão de contas e meios de pagamento subiram 3,3% para 142,2 milhões e as de gestão de ativos e bancassurance cresceram 6,4% para 54,9 milhões, com ativos sob gestão de 10,7 mil milhões, mais 6%. Já as comissões sobre empréstimos, garantias e similares recuaram 12,0% para 57,4 milhões, refletindo um efeito não recorrente registado em 2025.
Os resultados de operações financeiras, que incluem trading, foram negativos em 12,0 milhões de euros, contra 1,7 milhões positivos há um ano, enquanto os outros resultados de exploração caíram 81,4% para 13,2 milhões.
Com isso, o produto bancário total recuou 3,8% para 1.123,4 milhões de euros.
Do lado dos custos, os custos operativos ascenderam a 426,9 milhões de euros, mais 11,1% em termos homólogos, com custos com pessoal de 235,1 milhões, mais 8,0%, gastos gerais administrativos de 149,8 milhões, mais 15,4%, e amortizações de 42,0 milhões, mais 14,6%.
O banco justifica o aumento com custos extraordinários ligados à venda ao BPCE. Excluindo esses efeitos, os custos operacionais teriam crescido 7,4%, segundo o comunicado, e o rácio cost-to-income comercial teria ficado em 35,3%, estável face aos 35,1% do ano passado. Em termos reportados, o rácio cost-to-income comercial subiu para 38,0% nos nove meses.
Na qualidade dos ativos, o perfil de risco continuou a melhorar. O custo do risco foi de -21 pontos base nos nove meses, contra zero pontos base há um ano, com uma reversão de imparidades para empréstimos a clientes de 52,1 milhões de euros.
O crédito vencido há mais de 90 dias totalizou 302 milhões de euros, menos 3,7% que em dezembro, com um rácio de 1,0% sobre o crédito total bruto.
Os créditos não produtivos, NPL, totalizaram 783 milhões de euros, menos 3,3% face a dezembro. O rácio NPL bruto fixou-se em 2,6%, contra 2,9% em dezembro de 2025, o rácio NPL líquido manteve-se em níveis residuais de 0,3%, face a 0,2% em dezembro, e a cobertura de NPL situou-se em 89,0%, contra 91,9% em dezembro.
No balanço, o ativo total subiu para 48.611 milhões de euros, mais 4,7% face a dezembro. O crédito a clientes bruto cresceu 7,9% para 33.355 milhões de euros, com o crédito líquido a clientes, que inclui também a dívida titulada associada, a atingir 32.605 milhões, mais 8,3% desde o início do ano. Deste, 57% é concedido a empresas, 34% a habitação e 9% a consumo e outros.
No segmento de Particulares, o Novobanco manteve a habitação como âncora de crescimento. O crédito à habitação bruto chegou a 11.485 milhões de euros em setembro, mais 4,7% face a dezembro de 2025, quando estava em 10.966 milhões. Representa cerca de 34% da carteira bruta total de 33.355 milhões.
A concretização da aquisição da unidade de negócio do Unibanco no primeiro trimestre contribuiu com cerca de 0,3 mil milhões para a carteira.
A originação de crédito nos nove meses foi de 5,1 mil milhões de euros, mais 6% em termos homólogos, dos quais 61% destinados a empresas, 27% a habitação, ou seja, cerca de 1,38 mil milhões, e 12% a consumo, sendo cerca de 30% elegível como financiamento verde.
Do lado dos recursos, os depósitos de clientes cresceram 2,7% para 32.890 milhões de euros, com uma quota de mercado de 9,3%, estável. Os recursos totais de clientes aumentaram para 48,4 mil milhões de euros, mais 2,9% desde dezembro, incluindo recursos fora de balanço. O rácio de transformação situou-se em 88%, contra 84% em dezembro, com o rácio loan-to-deposit reportado em 85,7%.
Em termos de capital e liquidez, o Novobanco reforçou a solvabilidade apesar do crescimento dos ativos ponderados pelo risco para 21.042 milhões de euros.
O rácio CET1 evoluiu de 17,4% em dezembro de 2025 para 18,4% em setembro de 2026, mais 96 pontos base, enquanto o rácio de capital total subiu de 20,2% para 21,3% no mesmo período.
O rácio de alavancagem fixou-se em 7,4%, contra 7,0% em dezembro. Estes rácios incluem 100% do resultado líquido de 2025 e excluem o de 2026. Considerando a incorporação de 100% do resultado líquido dos nove meses, o CET1 pro-forma ascenderia a 21,2% e o capital total a 24,1%, denotando uma forte capacidade de geração orgânica de capital de 130 pontos base no período.
Na liquidez, o rácio de cobertura de liquidez, LCR, situou-se em 137%, contra 160% em dezembro, e o rácio de financiamento estável, NSFR, em 114%, contra 118%. O buffer de liquidez total era de 14,6 mil milhões de euros. O MREL atingiu 30,9% do TREA, acima do requisito de 27,15%.
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