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Digestão da “blue wave” nos EUA queda do petróleo e foco em dados macro marcam sessão

Digestão da “blue wave” nos EUA queda do petróleo e foco em dados macro marcam sessão

Os mercados financeiros digerem esta quinta-feira a vitória contundente dos Democratas nas eleições intercalares americanas, que lhes entregou o controlo tanto da Câmara dos Representantes como do Senado e transformou o Congresso num órgão claramente azul.
Os analistas (Wellington, AllianzGI, Ebury, Aberdeen, Generali e outros) sublinham que o resultado aponta mais para gridlock político e supervisão do que para mudanças radicais de política no curto prazo: Trump mantém veto e autoridade em política externa/imigração/comércio via ordens executivas; impactos fiscais relevantes só em 2027 (teto da dívida); e legislação sobre IA ou energia limpa enfrentará obstáculos bipartidários e veto
O verdadeiro teste fiscal e de política só chegará mais tarde, em 2027, com as negociações sobre o teto da dívida, mas no imediato os investidores parecem valorizar a maior previsibilidade de um governo dividido e o alívio potencial nos preços da energia. A volatilidade, no entanto, permanece elevada e continua dependente, acima de tudo, da evolução da situação no Médio Oriente.
A sessão de quarta-feira foi de forte recuperação em Wall Street e na Europa, com o S&P 500 a avançar cerca de 1,58% para os 7.688 pontos, o Dow Jones a saltar mais de 3% para cima dos 53.350 e o Nasdaq a registar ganhos na ordem dos 1,44%.
O movimento refletiu o alívio dos investidores face a um cenário de governo dividido, historicamente associado a menor risco de mudanças políticas abruptas, e foi reforçado pela queda abrupta dos preços do petróleo, que alimentou esperanças de desescalada no conflito com o Irão.
Na Europa, o tom foi igualmente de subida. O Stoxx 600 fechou com valorização próxima de 1,8%, o EuroStoxx 50 avançou quase 2% e índices como o DAX alemão, o CAC 40 francês, o FTSE 100 britânico e o IBEX 35 espanhol registaram ganhos entre 1,8% e 3%. Os analistas interpretam este ambiente como uma reação à expectativa de que o novo equilíbrio de poderes em Washington limite a agenda fiscalmente expansionista do presidente Trump, ao mesmo tempo que torna o cenário político mais previsível para os investidores.
O petróleo foi o grande protagonista da sessão anterior. O WTI deslizou cerca de 8% para a zona dos 88 dólares por barril e o Brent caiu em magnitude semelhante para perto dos 95 dólares, níveis que não se viam há cerca de dois meses.
A descida do preço do Brent de forma acentuada, chegando a cair 9%, para 94,50 dólares, aconteceu depois de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter atribuído a derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares à guerra no Irão.
A descida acentuada foi assim impulsionada pelas declarações de responsáveis republicanos que atribuíram parte da derrota eleitoral à guerra no Médio Oriente, bem como pela leitura de que um Congresso dominado pelos Democratas poderá dificultar um reforço do envolvimento militar americano. Qualquer desenvolvimento diplomático nas próximas horas continuará a ditar a direção das cotações, num mercado que se mantém altamente sensível a notícias de desescalada ou de novo endurecimento.
No câmbio, o dólar perdeu algum terreno e o euro reforçou-se para a zona dos 1,1235 a 1,1267 dólares. A leitura dominante entre as casas de análise é a de que o resultado eleitoral é ligeiramente negativo para a moeda americana: um Congresso Democrata tende a travar novas iniciativas fiscais expansionistas, o que atenua as preocupações com o défice e reduz a pressão sobre as yields dos Treasuries. Estas, por sua vez, recuaram na quarta-feira, com a taxa a dez anos a assentar na região dos 4,88 a 4,92 por cento, num movimento que apoia as avaliações das ações e retira algum suporte ao dólar.
A leitura de Ebury, por exemplo, é de um impacto ligeiramente negativo para o dólar: Congresso Democrata limita agenda fiscal expansionista de Trump, leva a menores preocupações com défice, a yields mais contidas e a menor diferencial de taxas a apoiar o dólar. O resultado já estava parcialmente precificado e o veto de Trump limita alterações imediatas.
As yields caíram (10 anos na zona dos 4,88-4,92%, com quedas de vários basis points). Os investidores precificam menor estímulo fiscal futuro, maior previsibilidade e possível alívio inflacionista via petróleo. As bonds e euro beneficiam do ambiente de yields mais baixas e dólar mais fraco.
Para esta quinta-feira, o tom geral aponta para uma sessão de consolidação após o forte rally da véspera.
Em Wall Street, a atenção concentra-se nos dados de produtividade e custos unitários do trabalho do terceiro trimestre, bem como nos pedidos semanais de subsídio de desemprego, enquanto na Europa o destaque vai para a decisão de política monetária do Banco de Inglaterra, onde se espera uma subida da taxa de juro para 4%.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem uma intervenção pública agendada para esta quinta-feira o que poderá impactar nos mercados.
Quinta-feira a tendência de yields contidas deve manter-se, salvo dados laborais surpreendentemente fortes.
 

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