O lugar onde continuamos a sentir juntos
Há algo de especial ao entrar numa sala de cinema. Escolher um filme, ocupar um lugar, ver as luzes apagarem-se e, durante algum tempo, deixar do lado de fora tudo o resto. É um ritual simples, mas que continua a distinguir o cinema de tantas outras formas de contacto com as histórias.
No Dia Mundial do Cinema, importa celebrar precisamente isso. Não apenas os filmes que nos marcaram, os realizadores, os produtores, atores e tantos profissionais que lhes dão vida, mas também o espaço onde tantas dessas histórias ganham uma dimensão diferente e especialmente única.
Vivemos num tempo de enorme abundância de conteúdos. Podemos ver filmes e séries praticamente em qualquer lugar e a qualquer momento, em diversos dispositivos tecnológicos. Essa diversidade trouxe novas possibilidades e novos hábitos, mas revelou ser mais importante do que nunca reconhecer aquilo que torna cada experiência distinta. Não se trata de opor a sala de cinema ao streaming ou a outras formas de consumo audiovisual. Trata-se de reconhecer o carácter singular da escolha de sair de casa para ver um filme num espaço concebido para lhe dedicarmos toda a nossa atenção.
No cinema, o grande ecrã ocupa o nosso campo de visão, o som envolve-nos e as distrações perdem espaço. Durante o tempo que durar uma história, dedicamos-lhe todo o nosso foco. Num dia a dia cada vez mais fragmentado, em que diferentes ecrãs, notificações e estímulos competem permanentemente pela nossa atenção, essa disponibilidade para parar, sentar e desfrutar assume um papel fundamental.
Mas há uma outra dimensão que merece ser valorizada: a experiência coletiva. Numa sala de cinema, sentamo-nos ao lado de pessoas que muitas vezes não conhecemos e, ainda assim, partilhamos alguma coisa com elas. Um riso que percorre a plateia, um silêncio absoluto num momento de tensão, a surpresa perante uma cena inesperada. Como temos procurado sublinhar, o cinema conserva essa capacidade rara de reunir pessoas diferentes perante a mesma história e de transformar uma experiência individual numa vivência partilhada.
É também por isso que valorizar as salas é defender muito mais do que um modelo de exibição. É reconhecer o seu valor cultural e social e o seu contributo para a diversidade e vitalidade do audiovisual. Para a FEVIP, a valorização da exibição cinematográfica constitui uma prioridade central precisamente por essa combinação entre relevância económica, cultural e social.
Talvez o convite seja tão simples como voltar a sentarmo-nos numa sala de cinema, e dar espaço às emoções que um filme desperta em nós.
Porque podemos encontrar histórias em muitos ecrãs. Há, no entanto, um lugar onde escolhemos parar, sonhar, vivenciar, sem nunca deixar de olhar em frente numa comunhão sensorial e conjunta.
Celebrar o Cinema é promover a cultura e um sinal de civilização!
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