Repsol defende refinação como setor estratégico para Espanha e Europa em geral
A Repsol reivindicou esta quinta-feira a refinação como uma indústria estratégica para Espanha e para a Europa em geral, num momento em que o conflito no Irão está a pressionar os mercados energéticos e a expor a vulnerabilidade do abastecimento europeu. Na Assembleia Geral de Acionistas, o presidente Antonio Brufau argumentou que o sistema de refinação espanhol está a permitir ao país enfrentar a crise “a partir de uma posição mais forte” do que a maioria dos parceiros europeus.
O Presidente da Repsol, Antonio Brufau, defendeu na Assembleia Geral de Acionistas da empresa que a indústria de refinação em Espanha, que qualificou como a melhor da Europa, está a permitir ao país enfrentar o atual “choque” energético a partir de uma posição “mais forte” do que o resto do continente. “A refinação é estratégica para Espanha e para a Europa e precisa de ser competitiva”, afirmou.
Brufau sublinhou que Espanha dispõe de um dos sistemas de refinação mais eficientes da Europa, sustentado por oito refinarias e por investimentos feitos ao longo de anos sem apoio regulatório. O dirigente defendeu ainda que a União Europeia não deve desistir de explorar recursos autóctones, incluindo hidrocarbonetos, e pediu o fim das barreiras ao investimento e ao financiamento de infraestruturas ligadas ao petróleo e ao gás.
O presidente da petrolífera alertou também para as perturbações na oferta de petróleo e, sobretudo, de produtos refinados, como querosene e gasóleo, provocadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo encerramento do estreito de Ormuz. Na sua visão, a transição energética deve continuar a valorizar tanto as fontes convencionais, que ainda representam 60% do mix energético, como as renováveis.
O CEO, Josu Jon Imaz, destacou por sua vez a política de remuneração aos acionistas, afirmando que o dividendo por ação deverá crescer entre 6% e 9% ao ano até 2028, apoiado por dividendos e recompra de ações. Em 2026, a empresa prevê uma remuneração em dinheiro de 1,051 euros por ação, um aumento de 7,8% face ao ano anterior.
Os acionistas aprovaram ainda o pagamento de um dividendo bruto de 0,551 euros por ação em julho, relativo aos resultados de 2025, e uma distribuição adicional de 0,53 euros por ação em janeiro de 2027, com base em reservas livres.
Além da política de dividendos, a assembleia aprovou uma redução de capital através da compra de ações no valor de 350 milhões de euros e autorizou o conselho de administração a executar reduções adicionais até ao limite de 10% do capital social. Foi também aprovada a nomeação da PricewaterhouseCoopers como auditora e a reeleição de quatro administradores.
O CEO apontou como prioridades a geração de caixa na área de Exploração e Produção, com mais de 80% do investimento destinado aos Estados Unidos, e o reforço do negócio industrial com novos projetos em Espanha e Portugal. Entre os destaques estão a fábrica de combustíveis renováveis de Puertollano, a unidade demonstrativa de combustíveis sintéticos em Bilbau, a ampliação do complexo de Sines e a Ecoplanta em Tarragona, prevista para entrar em operação em 2029.
Na área de Cliente, a Repsol quer ultrapassar os 4 milhões de clientes de eletricidade e gás até 2028, enquanto na Geração de Baixo Carbono prevê colocar em operação 1 GW por ano e chegar aos 9 GW no final da década.
A Repsol apresenta-se como uma empresa energética com 25 mil trabalhadores em mais de vinte países, 24 milhões de clientes e uma rede de 4.500 postos de abastecimento em vários mercados, incluindo Portugal.
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